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Petrópolis,18/05/2024

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Patricia Granzinoli

O Caso Cláudia Lessin Rodrigues: o feminicídio que abalou o Rio de Janeiro

Acervo O Globo
O Caso Cláudia Lessin Rodrigues: o feminicídio que abalou o Rio de Janeiro Mureta da avenida Niemeyer

    "Cláudia Lessin Rodrigues morreu às 4h de domingo (24 de julho de 1977) e ficou 21 horas no apartamento de Michel Albert Frank, quando, então, na primeira hora de segunda-feira, foi levada para a Avenida Niemeyer. Durante o período em que o corpo da jovem ficou num quarto com ar refrigerado, Michel Frank e Georges tramaram os detalhes para se livrar do corpo." (JORNAL DO BRASIL - Quarta-feira, 7/9/77 - 1⁠º. Caderno)

    Claudia Lessin Rodrigues foi assassinada aos 21 anos. Seu corpo nu estava preso a uma mala cheia de pedras, havia sinais de espancamento e de violência sexual,  o rosto estava totalmente desfigurado.

    Na madrugada do crime, o operário Luís Gonzaga de Oliveira viu, por uma fresta na parede do barraco onde dormia, uma Brasília estacionada e dois homens arrastando algo pesado. Ele estranhou a cena, saiu do barraco, se aproximou com cautela do carro e anotou, num muro de pedras, a placa da Brasília avermelhada: 5964, enquanto memoriza as letras SX. No dia seguinte, com a notícia do corpo encontrado naquela região, Luiz Gonzaga dirigiu-se ao orelhão e telefonou para a Rádio Globo, mas só conseguiu falar com o redator-chefe na terça-feira, revelou os números anotados e se prontificou a reconhecer ao menos um dos homens da Brasília. Sua ajuda foi fundamental para identificar os suspeitos do assassinato.

    O carro era de um jovem milionário chamado Michel Frank, dono de uma imobiliária em Ipanema e filho do industrial Egon Frank, sócio majoritário da fábrica de relógios Mondaine. Tendo Michel Frank dupla nacionalidade, fugiu para a Suíça, não foi julgado e conseguiu escapar da justiça brasileira. Foi assassinado em Zurique, em setembro de 1989, com seis tiros na cabeça, na garagem de seu prédio. Continuava envolvido com drogas.

    Georges Kour, cabeleireiro libanês que trabalhava no salão do antigo Hotel Méridien, no Leme, foi absolvido das acusações de homicídio e violência sexual, e considerado culpado e condenado por ocultação de cadáver, em 1980. Há notícias de que Kour, após três anos preso, inaugurou um salão em Niterói e hoje reside em São Paulo. 

    Durante todo o processo, a defesa buscou desconstituir qualquer prova pericial e mostrar que a vítima teria morrido por overdose de cocaína e não por homicídio. 

    Foi o detetive Jamil Warwar, que à época tinha 12 anos na Polícia Civil, que montou todo o quebra-cabeça e, em uma declaração publicada em 1986, afirmou: “Houve um embalo de tóxico na casa de Frank. No dia seguinte, Frank e Khour, cheios de cocaína, caminhavam em cima da mureta da avenida Niemeyer e resolveram então estuprá-la ali mesmo. Ela resistiu, ameaçou denunciar o que vira no apartamento no dia anterior (Michel vendendo cocaína)”. 

    Segundo o presumido pelo detetive Warwar, “os dois, após violentá-la na própria Niemeyer, a mataram. Quando tentaram dar sumiço ao corpo, amarrado com uma mala cheia de pedras, foram vistos por um operário que esclareceu o caso.” (Revista Manchete - 20 de dezembro de 1986).

    Os laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, conforme a mesma revista, são taxativos: afirmam que Cláudia foi morta no local, pois havia sangue sobre as pedras. Declaram também que ela morreu por asfixia mecânica – viam-se claramente as marcas dos dedos, a olho nu, em seu pescoço. 

    Claudia Lessin, segundo o laudo, fora esganada, violentada e espancada. O exame toxicológico apontou que ela não havia usado cocaína nem qualquer outro tipo de droga.




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