Publicidade

Quanto ganha um professor no Brasil? Salários variam de R$ 4,1 mil a mais de R$ 7 mil

Pesquisa aponta diferença de remuneração entre disciplinas e mostra que professores do ensino médio recebem, em média, cerca de 20% menos que outros profissionais com ensino superior


Quanto ganha um professor no Brasil? Salários variam de R$ 4,1 mil a mais de R$ 7 mil Foto: Reprodução/EPTV

Os salários dos professores brasileiros apresentam diferenças de acordo com a etapa de ensino e a disciplina lecionada. Dados da 2ª Pesquisa Apagão dos Professores, realizada pelo Instituto Semesp, mostram que a remuneração média de um professor do ensino médio chegou a R$ 6.574 por mês em 2025. O valor corresponde a aproximadamente 80% da renda média dos trabalhadores brasileiros com ensino superior completo, estimada em R$ 8,1 mil.

Entre as disciplinas, a diferença é ainda maior. Um professor de Filosofia do ensino médio recebeu, em média, R$ 4.082 por mês em 2025. Para professores de Física, a média foi de R$ 4.433, enquanto os de Química receberam R$ 4.470. Já os professores de Matemática tiveram remuneração média de R$ 5.726. O maior valor apresentado no levantamento foi registrado entre professores de disciplinas pedagógicas, com média de R$ 7.294.

Considerando as diferentes etapas da educação básica, professores com nível superior que atuam na Educação Infantil com crianças de 0 a 3 anos receberam, em média, R$ 5.105. Entre aqueles que trabalham com crianças de 4 a 6 anos, a média foi de R$ 5.307. No Ensino Fundamental I, o valor chegou a R$ 6.166, enquanto no Fundamental II ficou em R$ 5.426. No Ensino Médio, a média foi de R$ 6.574.

No Ensino Fundamental II, professores de Ciências Exatas e Naturais tiveram remuneração média de R$ 5.930. Em Educação Artística, o valor foi de R$ 5.355; Educação Física e Geografia ficaram em R$ 4.801; História, em R$ 5.179; Língua Estrangeira Moderna, em R$ 4.964; Língua Portuguesa, em R$ 6.198; e Matemática, em R$ 5.029.

No Ensino Médio, além dos valores já citados, professores de Artes receberam em média R$ 4.994; Biologia, R$ 4.916; Educação Física, R$ 5.180; Geografia, R$ 5.718; História, R$ 5.661; Língua e Literatura Brasileira, R$ 4.941; Língua Estrangeira Moderna, R$ 5.545; Psicologia, R$ 4.990; e Sociologia, R$ 4.695.

A remuneração, no entanto, é apenas um dos fatores que ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas pela carreira docente. Segundo a pesquisa do Instituto Semesp, 74,8% dos professores entrevistados apontaram a falta de valorização e de estímulo profissional como um dos principais problemas da profissão. A baixa remuneração foi citada por 58,3% dos participantes.

Também aparecem entre as principais dificuldades a falta de disciplina e de interesse dos alunos, mencionada por 62,8% dos professores, a falta de apoio e reconhecimento da sociedade, apontada por 61,3%, e o baixo envolvimento das famílias, citado por 59%.

O levantamento mostra ainda um cenário de insatisfação entre os profissionais. Cerca de 79,4% dos professores ouvidos afirmaram que já pensaram em abandonar a carreira docente, enquanto apenas 5% disseram se sentir motivados e confiantes em relação ao futuro profissional.

A situação ganha ainda mais importância diante do envelhecimento do quadro de professores. Entre 2015 e 2025, o número de docentes do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1%. No mesmo período, a quantidade de professores com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, indicando a necessidade de renovação da categoria nos próximos anos.

A progressão salarial também é apontada como um fator importante para a atratividade da profissão. Com base em dados do Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Instituto Semesp comparou os salários de professores do Ensino Médio em diferentes países. Os valores são anuais e ajustados pela paridade do poder de compra.

No Brasil, um professor do Ensino Médio em início de carreira recebia, em 2024, o equivalente a US$ 24,5 mil por ano. O valor ficou abaixo dos registrados no Chile, com US$ 31 mil; Coreia do Sul, US$ 37,8 mil; Portugal, US$ 41,3 mil; Finlândia, US$ 48,9 mil; Canadá, US$ 50,1 mil; Austrália, US$ 57,5 mil; e Dinamarca, US$ 59,8 mil.

A evolução ao longo da carreira também apresenta diferenças. Na Coreia do Sul, a remuneração anual passa de US$ 37,8 mil no início para US$ 65,8 mil depois de 15 anos e pode chegar a US$ 104,8 mil no topo da carreira. Na Austrália, os valores vão de US$ 57,5 mil para US$ 81,8 mil após 15 anos, podendo alcançar US$ 93 mil. No Canadá, a remuneração começa em US$ 50,1 mil e chega a US$ 87,3 mil depois de 15 anos.

Os dados mostram que o desafio para a carreira docente vai além do salário de entrada. A possibilidade de progressão profissional e financeira, a valorização do trabalho e as condições encontradas no ambiente escolar também pesam na decisão de jovens que consideram seguir a profissão. Para o Instituto Semesp, melhorar esses aspectos é parte do desafio de atrair novos professores e substituir os profissionais que deverão deixar a carreira nos próximos anos.

Publicidade



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR