Fifa é questionada após permitir atuação de goleiro com documentação irregular na Copa do Mundo
Documentos analisados pelo The New York Times indicam que a entidade tomou conhecimento de problemas na mudança de nacionalidade esportiva de Lionel Mpasi, da RD Congo, mas decidiu não aplicar punições antes da classificação para o Mundial
Foto: Richard Pelham / Getty Images via AFP A participação da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026 ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (6). Documentos analisados pelo The New York Times apontam que a Fifa identificou problemas na documentação do goleiro Lionel Mpasi, mas, mesmo assim, permitiu que o jogador continuasse defendendo a seleção e disputasse partidas importantes na campanha que levou o país africano ao Mundial.
Mpasi passou pelas categorias de base da França antes de optar por defender a República Democrática do Congo. Embora tivesse nacionalidade congolesa, o processo necessário para a mudança de sua nacionalidade esportiva não teria sido concluído de forma adequada. A situação acabou sendo identificada durante uma análise provocada por uma reclamação apresentada pela Nigéria, eliminada pela RD Congo na repescagem africana.
Os nigerianos questionaram a condição de alguns jogadores utilizados pela seleção congolesa, e a Fifa passou a analisar a documentação. Segundo os documentos analisados pelo jornal americano, a Federação Congolesa de Futebol havia iniciado, ainda em 2021, o procedimento para regularizar a situação de Mpasi e permitir que ele defendesse oficialmente a seleção. O problema é que a documentação necessária para concluir a mudança não teria sido finalizada.
A análise aconteceu antes da repescagem intercontinental, quando a RD Congo ainda disputava uma vaga na Copa do Mundo. Dentro da Fifa, diferentes possibilidades chegaram a ser consideradas para o caso. Entre elas estavam reconhecer a vitória da Nigéria, aplicar uma multa à federação congolesa, substituir a RD Congo pela seleção nigeriana na repescagem contra a Jamaica ou simplesmente não tomar nenhuma medida.
A última alternativa acabou prevalecendo. De acordo com os documentos, a justificativa foi de que a reclamação apresentada pela Nigéria havia sido feita fora do prazo estabelecido pelos regulamentos. Dessa forma, a RD Congo não recebeu punição esportiva e continuou na disputa pela vaga.
Na repescagem intercontinental, a seleção africana enfrentou a Jamaica e conseguiu a vitória que garantiu sua classificação para a Copa do Mundo de 2026. Mpasi integrou o elenco que viajou para o Mundial e participou da campanha congolesa no torneio.
Na fase de grupos, a RD Congo perdeu para Portugal e Colômbia, mas conseguiu reagir ao vencer o Uzbequistão. O resultado garantiu a classificação da equipe para a fase eliminatória. No mata-mata, porém, os congoleses foram derrotados pela Inglaterra e acabaram eliminados da competição.
Procurada pelo The New York Times, a Fifa afirmou que seus órgãos jurisdicionais são independentes e possuem autonomia para analisar as reclamações apresentadas. A entidade declarou ainda que os casos são avaliados de acordo com os regulamentos aplicáveis e com os fatos apresentados em cada processo. A Fifa também afirmou que Gianni Infantino, presidente da entidade, não participou da decisão relacionada à reclamação feita pela Nigéria.
O caso chama atenção justamente porque a situação envolvendo a documentação de Mpasi teria sido identificada antes de a RD Congo garantir sua vaga no Mundial. Mesmo diante das dúvidas levantadas durante a análise, a entidade decidiu não aplicar uma punição esportiva que pudesse alterar o resultado da disputa. Com isso, a seleção congolesa manteve sua vaga, disputou a Copa do Mundo e chegou à fase de mata-mata antes de ser eliminada pela Inglaterra.




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