Publicidade

Abstenção eleitoral bate recorde e reúne diferentes motivos para ausência

Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno de 2026; viagens, problemas de saúde, trabalho e dificuldades de acesso estão entre as principais razões.


Abstenção eleitoral bate recorde e reúne diferentes motivos para ausência Foto: Eliandra Bussinger

Mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. O número corresponde a 21,08% do eleitorado apto e representa o maior índice de abstenção desde 1998. O resultado, porém, não significa necessariamente que todos esses eleitores estejam desinteressados pela política, já que a ausência nas urnas reúne pessoas com diferentes perfis e justificativas.

Entre os principais motivos estão viagens, problemas de saúde, compromissos profissionais e falta de interesse na eleição. Uma pesquisa Datafolha apontou que 19% dos entrevistados que não votaram citaram viagens, enquanto 18% mencionaram questões de saúde, 13% disseram estar desinteressados e 9% apontaram o trabalho. Também há eleitores que enfrentam dificuldades para chegar aos locais de votação, problemas de acessibilidade ou obstáculos burocráticos para transferir o título eleitoral.

Ainda não existem levantamentos suficientes para determinar quantas pessoas deixam de votar exclusivamente por desinteresse político. As pesquisas eleitorais costumam se concentrar nas intenções de voto, sem aprofundar as razões que levam parte da população a não participar da votação. Dessa forma, considerar todos os ausentes como pessoas que rejeitam a política ou os candidatos simplifica um fenômeno que envolve diferentes circunstâncias.

A abstenção de 2026 ficou ligeiramente acima da registrada em 2022, quando 20,9% dos eleitores não compareceram às urnas. O percentual permaneceu próximo do patamar observado nas últimas eleições brasileiras, em torno de 20%, apesar da expectativa de uma possível elevação diante do menor engajamento identificado durante a campanha.

A distribuição regional também apresentou diferenças. O Nordeste registrou a menor taxa de abstenção, com 18,4%, seguido pelo Norte, com 19,4%. No Centro-Oeste, o índice chegou a 21,7%, enquanto o Sudeste apresentou o maior percentual, de 22,7%. A região concentrou aproximadamente 15,1 milhões dos eleitores que não compareceram às urnas no país, desconsiderando os brasileiros que votam no exterior.

No Nordeste, a taxa caiu de 19,5% em 2022 para 18,4% em 2026. Na comparação entre as duas eleições, cerca de 1,4 milhão de pessoas a mais compareceram às urnas na região. Os números, entretanto, precisam ser analisados com cautela. Em 2026, 716 municípios tinham mais eleitores cadastrados do que habitantes, situação que pode distorcer os índices. Entre as possíveis explicações estão mudanças de endereço sem transferência do título e cadastros que ainda mantêm pessoas falecidas.

Dados de eleições anteriores identificaram dois grupos importantes entre os eleitores ausentes: jovens de 18 a 29 anos, para quem o voto é obrigatório, e pessoas com 70 anos ou mais, que não são obrigadas a votar. Entre os idosos, mulheres com baixa escolaridade aparecem com destaque. Em 2022, aproximadamente 4,5 milhões de mulheres com 70 anos ou mais, analfabetas ou com escolaridade até o ensino fundamental, deixaram de comparecer às urnas.

No caso dos idosos, parte das ausências pode estar relacionada a problemas de saúde, limitações de mobilidade e dificuldades de deslocamento. Já entre os mais jovens, chama a atenção a ausência de eleitores que tiram o título aos 16 ou 17 anos, quando o voto é facultativo, mas não mantêm a participação eleitoral após a idade em que o comparecimento passa a ser obrigatório.

Os dados de eleições anteriores também indicam que cerca de três em cada dez eleitores ausentes pertenciam a grupos para os quais o voto é facultativo, como pessoas com 70 anos ou mais e analfabetos de qualquer idade. As informações específicas sobre o perfil social dos eleitores que não votaram em 2026 ainda dependem da divulgação de novos levantamentos após o segundo turno.

Outro aspecto é a diferença entre a obrigatoriedade prevista na legislação e seus efeitos práticos. Embora o voto seja obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos, a ausência pode ser justificada pelo celular, e a multa eleitoral é de R$ 3,70. O baixo valor da penalidade e a facilidade para justificar o não comparecimento reduzem o efeito prático da obrigação.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as campanhas buscam ampliar a mobilização e incentivar a participação dos eleitores que não compareceram à primeira votação. Entretanto, as razões para a abstenção variam e nem sempre estão relacionadas a uma decisão deliberada de se afastar da política.

A compreensão desse cenário depende de pesquisas mais detalhadas sobre quem deixa de votar e os motivos da ausência. Sem essas informações, a abstenção não pode ser explicada por uma única causa, pois envolve desde escolhas individuais até dificuldades de saúde, acesso aos locais de votação e atualização cadastral.

Publicidade



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR