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Câncer de pulmão pode ser silencioso e atingir até quem nunca fumou

Adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de pulmão e pode ser descoberto por acaso em exames. Conheça os principais sintomas, fatores de risco e tratamentos disponíveis.


Câncer de pulmão pode ser silencioso e atingir até quem nunca fumou Foto: Reprodução/TV Globo

O diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão do papa Leão XIV, de 71 anos, chamou a atenção para um tipo de câncer que pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. No caso do pontífice, a doença foi identificada após exames apontarem um nódulo no pulmão direito. A equipe médica decidiu retirar o lobo inferior do órgão, região onde a lesão estava localizada.

O adenocarcinoma é o subtipo mais comum de câncer de pulmão, representando aproximadamente 40% a 50% dos casos. Embora o tabagismo seja um dos principais fatores de risco para a doença, esse tipo de tumor também pode atingir pessoas que nunca fumaram. Em algumas situações, o diagnóstico ocorre durante exames realizados para investigar outros problemas de saúde.

O adenocarcinoma é um câncer que se desenvolve a partir de células com características glandulares. No pulmão, é o subtipo mais frequente e pode apresentar diferentes formas de evolução, dependendo das características do tumor e do estágio em que a doença é identificada. Apesar da relação entre o câncer de pulmão e o consumo de cigarros, existem outros fatores associados ao desenvolvimento da doença, como exposição à poluição, histórico familiar, contato ocupacional com determinadas substâncias tóxicas e exposição ao radônio.

O radônio é um gás radioativo natural, invisível e sem cheiro, liberado pela degradação de elementos presentes no solo e nas rochas. Ele pode entrar em imóveis por rachaduras, frestas e tubulações, acumulando-se em ambientes fechados com pouca ventilação. A exposição prolongada ao gás é considerada um fator de risco para o câncer de pulmão.

Nas fases iniciais, o adenocarcinoma de pulmão pode não provocar sinais perceptíveis. Por isso, alguns casos são descobertos durante exames solicitados por outros motivos. Quando os sintomas aparecem, a doença pode estar em estágio mais avançado. Entre os principais sinais de alerta estão tosse persistente, falta de ar, dor no tórax, tosse com sangue, febre persistente e perda de peso sem explicação.

Em determinadas situações, o câncer pode se espalhar para outras partes do corpo, processo conhecido como metástase. Quando isso acontece, os sintomas também podem estar relacionados ao órgão atingido. Um dos casos relatados na reportagem que serviu de base para esta matéria foi o de um paciente que procurou atendimento após apresentar fortes dores de cabeça durante meses. Os exames identificaram um tumor no cérebro e, posteriormente, uma lesão no pulmão. A biópsia confirmou que o câncer havia começado no pulmão e se espalhado para o cérebro.

Outro paciente descobriu a doença aos 61 anos, depois de procurar atendimento por causa de uma febre persistente. Um raio-X identificou pneumonia e também uma alteração que levou à realização de exames mais detalhados. A investigação confirmou o adenocarcinoma, apesar da ausência de sintomas específicos relacionados ao tumor e do fato de o paciente não fumar.

A escolha do tratamento depende do estágio do câncer, das características do tumor e da existência ou não de metástases. Quando a doença é identificada precocemente e permanece localizada no pulmão, a cirurgia pode ser uma das principais opções terapêuticas. No caso do papa Leão XIV, os médicos retiraram o lobo inferior do pulmão direito. Dependendo das condições do paciente e da localização da lesão, o procedimento pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas, com pequenas incisões entre as costelas para a introdução de uma câmera e dos instrumentos cirúrgicos.

Após a retirada, o material é analisado para determinar as características do tumor e orientar as etapas seguintes do tratamento. Conforme os resultados, pode ser necessário complementar a cirurgia com outras abordagens. Para pacientes com doença avançada, a medicina dispõe de alternativas como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Estas últimas atuam sobre alterações moleculares específicas das células cancerígenas, enquanto a imunoterapia estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater o tumor.

Os relatos apresentados na reportagem também mostram que alguns pacientes podem responder positivamente a tratamentos mais recentes. Um deles recebeu imunoterapia após não apresentar resposta satisfatória a diferentes esquemas de quimioterapia. Na primeira avaliação, houve redução de 30% no volume dos tumores. Os dois pacientes citados no conteúdo original estavam em remissão, sem sinais da doença.

A ausência de sintomas específicos nas fases iniciais torna o adenocarcinoma de pulmão uma doença difícil de identificar em alguns casos. Por isso, alterações encontradas em exames precisam ser avaliadas por profissionais de saúde, mesmo quando a pessoa não apresenta sinais típicos de câncer. Tosse persistente, falta de ar, dor no tórax, sangue ao tossir e perda de peso inexplicada são sintomas que merecem investigação médica. Esses sinais podem ter diferentes causas e não significam necessariamente a presença de um tumor, mas a avaliação ajuda a esclarecer o diagnóstico e definir a conduta adequada.

O caso do papa Leão XIV também reforça que o câncer de pulmão não está restrito a pessoas que fumam. Embora evitar o tabagismo seja uma das principais medidas de prevenção, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença. A identificação do tumor em uma fase inicial pode ampliar as possibilidades terapêuticas e favorecer o planejamento do tratamento. Diante de sintomas persistentes ou de alterações suspeitas em exames, a orientação é procurar atendimento médico para uma avaliação individualizada.

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