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Selic, juros e dívidas: veja o que os candidatos à Presidência propõem para a economia

Com a taxa básica de juros em 14% ao ano, planos de governo apresentam propostas diferentes para inflação, contas públicas, crédito e endividamento das famílias


Selic, juros e dívidas: veja o que os candidatos à Presidência propõem para a economia Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A taxa Selic, os juros cobrados no crédito e o controle das contas públicas estão entre os principais temas do debate econômico nas eleições de 2026. Atualmente em 14% ao ano, a taxa básica influencia empréstimos, financiamentos, investimentos e o custo do dinheiro para famílias e empresas. O Copom, órgão do Banco Central responsável pela definição da Selic, iniciou nesta quarta-feira (16) uma nova reunião para decidir os próximos passos da política monetária.

A definição da Selic é uma atribuição do Banco Central, mas as políticas econômicas adotadas pelo governo federal podem influenciar as expectativas de inflação, a trajetória das contas públicas e, consequentemente, o ambiente em que as decisões de política monetária são tomadas. Os planos de governo dos candidatos apresentam propostas diferentes para lidar com esses temas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defende a manutenção do arcabouço fiscal e relaciona a redução dos juros ao controle da inflação e à responsabilidade fiscal. Entre as propostas apresentadas estão a continuidade do Desenrola Brasil, medidas para ampliar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas e a regulamentação das apostas on-line, apontada como uma forma de evitar o comprometimento da renda das famílias.

Flávio Bolsonaro (PL) propõe uma redução de gastos públicos e mudanças no atual arcabouço fiscal. O candidato também defende alterações na política tributária, com redução de impostos e desoneração de investimentos e exportações. Para o endividamento, prevê a regulamentação das apostas on-line e a criação de um modelo de empréstimo para estudantes vinculado à renda.

Ronaldo Caiado (PSD) coloca o equilíbrio das contas públicas como um dos pontos centrais de sua proposta econômica. O candidato defende uma estratégia fiscal de longo prazo para estabilizar e reduzir a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), além da recuperação de resultados primários. Para o endividamento, propõe tratar o superendividamento relacionado às apostas como uma questão de saúde pública e estabelecer limites para esse tipo de atividade.

Romeu Zema (Novo) propõe um conjunto de medidas de redução de despesas e mudanças na estrutura de crédito. Entre as propostas estão a redução do IOF sobre operações financeiras, alterações nos créditos subsidiados do BNDES, reformas administrativa e previdenciária e mudanças nas garantias de crédito. Para as famílias endividadas, defende a renegociação de dívidas e o uso do Open Finance para facilitar a transferência de débitos para instituições que ofereçam juros menores.

Augusto Cury (Avante) propõe mudanças nas matrizes de risco utilizadas por instituições financeiras e a criação de um Banco do Empreendedor, com linhas de crédito para pequenos negócios. O plano também apresenta medidas voltadas ao agronegócio, incluindo ampliação do Seguro Rural e ações de prevenção ao superendividamento de produtores.

Renan Santos (Missão) apresenta a chamada PEC do Equilíbrio Fiscal, com previsão de redução de despesas e medidas para conter o crescimento da dívida pública. O plano inclui propostas de desindexação de benefícios e mudanças na vinculação de recursos para determinadas áreas, além de uma estratégia de integração monetária entre países da América do Sul.

Samara Martins (UP) defende mudanças profundas na política econômica e no sistema financeiro. Entre as propostas estão o fim da autonomia do Banco Central, a suspensão do pagamento de juros e amortizações da dívida pública para realização de uma auditoria e a nacionalização de bancos. Para o endividamento, também propõe medidas relacionadas às dívidas estudantis do FIES.

Edmilson Costa (PCB) propõe uma reestruturação da dívida pública e uma investigação sobre sua formação. O plano prevê a suspensão dos pagamentos de juros e amortizações durante esse processo, além da revogação do arcabouço fiscal e da Lei de Responsabilidade Fiscal. O candidato também defende mudanças na estrutura do Banco Central e a criação de um banco voltado aos trabalhadores.

Hertz Dias (PSTU) propõe alterações no sistema financeiro, com estatização de empresas consideradas estratégicas e centralização do sistema bancário em uma instituição estatal. Também defende a suspensão do pagamento da dívida pública, auditoria dos débitos e mudanças na política tributária. Para as famílias, apresenta propostas de crédito público com juros baixos e medidas contra as plataformas de apostas.

Rui Costa Pimenta (PCO) defende a redução imediata das taxas de juros, o fim da independência do Banco Central e a estatização do sistema bancário. O candidato também propõe o cancelamento de dívidas de trabalhadores com instituições financeiras e mudanças na estrutura da dívida pública.

Clariana Barão (DC) não apresenta, em seu plano de governo, uma proposta específica para a redução da Selic. O documento destaca responsabilidade fiscal, revisão de gastos e subsídios e planejamento de longo prazo baseado em metas e transparência.

Wilson Grassi (Democrata) apresenta propostas relacionadas principalmente à ampliação do acesso ao crédito para famílias. Entre as medidas está a utilização de recursos e garantias públicas para facilitar o financiamento da casa própria e oferecer condições de juros mais baixos.

Leonardo Avalanche, por sua vez, não apresenta propostas específicas sobre Selic, política monetária ou inflação no plano de governo. O documento reúne medidas relacionadas principalmente ao crédito para o agronegócio e para motoristas de aplicativos, além de uma proposta de substituição de diferentes tributos por um imposto único.

As Eleições 2026 terão 12 candidaturas registradas para a Presidência da República, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

As propostas apresentadas pelos candidatos partem de diferentes diagnósticos sobre juros, inflação, dívida pública, gastos governamentais e endividamento das famílias. A Selic, por sua vez, continuará sendo definida pelo Banco Central por meio das reuniões do Copom, considerando as condições econômicas e as expectativas para a inflação.

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