Golpe do Pix: quanto dinheiro os brasileiros perderam nos últimos anos?
Fraudes envolvendo transferências instantâneas movimentaram bilhões de reais e levaram o Banco Central a ampliar os mecanismos de segurança e devolução de valores
Foto: AFP Os golpes envolvendo o Pix já provocaram bilhões de reais em prejuízos no Brasil. Dados obtidos junto ao Banco Central mostram que as perdas com fraudes no sistema cresceram nos últimos anos, acompanhando a popularização do meio de pagamento. Em 2024, os prejuízos relacionados a golpes e fraudes no Pix chegaram a cerca de R$ 4,9 bilhões, segundo levantamento baseado em informações do BC. O valor representou um forte aumento em relação ao ano anterior.
Outro levantamento, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), aponta que os golpes envolvendo Pix responderam por aproximadamente R$ 2,7 bilhões das perdas com fraudes e golpes cibernéticos registradas em 2024. No total, esse tipo de crime provocou cerca de R$ 10,1 bilhões em prejuízos no sistema financeiro naquele ano.
Em uma pesquisa divulgada em 2025 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aproximadamente 24 milhões de brasileiros afirmaram ter sido vítimas de golpes financeiros envolvendo Pix ou boletos entre julho de 2024 e junho de 2025. O prejuízo estimado para essas ocorrências chegou a quase R$ 29 bilhões. O levantamento considera Pix e boletos em conjunto, portanto, o valor não representa exclusivamente perdas com Pix.
O problema também aparece quando se observa o valor médio perdido pelas vítimas. Uma pesquisa da Silverguard apontou que o prejuízo médio em golpes digitais chegou a R$ 2.540 em 2025, alta de 21% em relação ao ano anterior. Entre pessoas com 60 anos ou mais, a perda média foi de R$ 4.820, enquanto entre jovens de 18 a 24 anos ficou em R$ 964.
Os golpes podem ocorrer de diferentes maneiras. Entre os métodos utilizados estão a falsa central bancária, falsas lojas e promoções, pedidos de dinheiro feitos por criminosos que se passam por familiares ou conhecidos, além de situações em que a vítima é induzida a realizar voluntariamente uma transferência. Por isso, nem toda transação fraudulenta ocorre após uma invasão do aplicativo ou da conta bancária.
Para tentar reduzir os prejuízos, o Banco Central mantém o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED. O sistema permite que vítimas de fraude, golpe ou crime solicitem a devolução dos recursos por meio da instituição financeira. O pedido deve ser feito em até 80 dias após a realização do Pix.
Em fevereiro de 2026, novas regras de segurança do Pix entraram em vigor. Entre as mudanças está o aprimoramento do mecanismo de devolução, com rastreamento do caminho percorrido pelo dinheiro após uma fraude. A expectativa é aumentar a recuperação dos valores desviados e dificultar a atuação dos criminosos.
Mesmo com os mecanismos de proteção, o Banco Central orienta que o consumidor entre em contato imediatamente com o banco ao perceber uma fraude, solicite o MED e registre a ocorrência. Quanto mais rápido o caso for comunicado, maiores são as possibilidades de bloqueio e recuperação dos recursos que ainda estiverem disponíveis na cadeia de transferências.
O crescimento das fraudes acompanha a dimensão que o Pix alcançou no país. Em 2025, o sistema movimentou cerca de R$ 35 trilhões em transações, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento utilizados pelos brasileiros.





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