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Lula faz décimo discurso na ONU e deve abordar soberania, democracia e conflitos internacionais

Presidente brasileiro participa da abertura da Assembleia Geral nesta terça-feira (22), mantendo tradição iniciada em 2003; discurso deve incluir temas como crime organizado, inteligência artificial e mudanças climáticas


Lula faz décimo discurso na ONU e deve abordar soberania, democracia e conflitos internacionais Foto: AL DRAGO/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (22) da abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Será a décima vez que Lula fará o tradicional discurso de abertura pelo Brasil, repetindo uma participação que começou em 2003 e teve novas edições em 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025.

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral da ONU. Na sequência, fala o país anfitrião, os Estados Unidos, que neste ano serão representados pelo presidente Donald Trump. A tradição brasileira de abrir os debates começou em 1955, quando o país se ofereceu para iniciar os pronunciamentos e, posteriormente, consolidou a posição.

A escolha garante ao Brasil um dos primeiros momentos de atenção do debate, quando os representantes dos países ainda estão reunidos no plenário para acompanhar o início dos trabalhos.

O que esperar do discurso de Lula em 2026

A expectativa é de que Lula concentre parte de seu discurso na defesa da soberania nacional, no princípio da não interferência externa e na democracia. O presidente também deve abordar questões relacionadas aos processos eleitorais e às relações do Brasil com outros países.

Segundo informações sobre a preparação do pronunciamento, Lula poderá fazer referências a países que, na avaliação do governo brasileiro, tentam exercer influência sobre o processo eleitoral do Brasil. Argentina, Israel e Estados Unidos estão entre os países que podem aparecer no contexto da fala.

O combate ao crime organizado transnacional também deverá ser mencionado. A expectativa é que o presidente destaque medidas de cooperação adotadas pelo Brasil com países vizinhos e com os Estados Unidos para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.

Conflitos internacionais, mudanças climáticas e inteligência artificial também estão entre os assuntos que podem fazer parte do pronunciamento.

A previsão é de que Lula fale por aproximadamente 20 minutos. O conteúdo do discurso, porém, ainda pode sofrer alterações até a véspera da participação do presidente.

Os principais temas dos discursos anteriores

Ao longo de suas participações na ONU, Lula abordou temas recorrentes da política externa brasileira, como combate à fome e à pobreza, reforma do Conselho de Segurança, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, conflitos internacionais e fortalecimento do multilateralismo.

Em 2003, no primeiro discurso, Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU e destacou a necessidade de ampliar a participação dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais. O combate à fome também ocupou espaço importante, em meio à criação do programa Fome Zero no Brasil.

Em 2004, o presidente voltou a defender a autodeterminação dos povos, criticou as desigualdades provocadas pela globalização e ressaltou a necessidade de combater a pobreza e a fome em escala mundial.

Nos anos seguintes, a reforma do Conselho de Segurança permaneceu entre os principais pontos defendidos pelo governo brasileiro. Em 2006, Lula também destacou programas sociais brasileiros e defendeu mudanças nas relações comerciais internacionais.

Em 2007, as mudanças climáticas ganharam maior destaque. Lula defendeu uma nova matriz energética e apresentou os biocombustíveis como uma alternativa para países em desenvolvimento. Também voltou a defender mudanças na estrutura de governança internacional.

Durante a crise financeira de 2008, o discurso brasileiro foi concentrado nos efeitos da crise econômica mundial, na necessidade de maior regulação dos mercados financeiros e no papel dos governos diante da instabilidade econômica.

Em 2009, Lula voltou a cobrar mudanças na governança econômica internacional, com maior participação de países em desenvolvimento em instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. As mudanças climáticas também foram novamente abordadas.

Após um intervalo, Lula retornou à Assembleia Geral em 2023. Naquele ano, o presidente concentrou sua fala no combate à fome, na desigualdade social, na crise climática e na proteção da Amazônia. Também apresentou medidas adotadas pelo governo brasileiro em áreas sociais.

Em 2024, os conflitos internacionais ganharam maior espaço. Lula criticou a escalada das guerras, defendeu soluções diplomáticas e abordou os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. A reforma da ONU e a crise climática também estiveram entre os principais assuntos.

Já em 2025, Lula destacou a defesa da democracia e da soberania brasileira, além de defender a regulamentação das plataformas digitais. A crise climática também ocupou uma parte importante do discurso, com destaque para a preservação das florestas e para a realização da COP30 no Brasil.

Tradição brasileira na ONU

A Assembleia Geral das Nações Unidas reúne os 193 países-membros da organização e funciona como um dos principais fóruns de debate sobre questões internacionais.

No chamado Debate Geral, chefes de Estado, chefes de governo e representantes das delegações apresentam suas posições sobre temas de interesse internacional.

Antes dos pronunciamentos dos países, o secretário-geral da ONU e o presidente da Assembleia Geral fazem seus discursos. Em seguida, começa a participação das nações, tradicionalmente iniciada pelo Brasil.

Depois do pronunciamento brasileiro, os Estados Unidos ocupam o segundo lugar na ordem dos discursos por serem o país anfitrião da sede da ONU, em Nova York.

Ao chegar ao décimo discurso de abertura, Lula retoma uma trajetória iniciada em seu primeiro mandato e que reúne temas que marcaram sua política externa ao longo de diferentes períodos, agora diante de um cenário internacional marcado por conflitos, disputas comerciais, mudanças climáticas, avanços da inteligência artificial e debates sobre democracia e soberania.

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