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Quase metade dos trabalhadores já fingiu estar ocupada para evitar novas tarefas, aponta pesquisa

Levantamento com 2.487 profissionais mostra que 86,5% já adotaram algum comportamento que costuma ficar fora do conhecimento das empresas


Quase metade dos trabalhadores já fingiu estar ocupada para evitar novas tarefas, aponta pesquisa Foto: Freepik

Uma pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos revelou que 48,6% dos profissionais entrevistados afirmam já ter fingido estar ocupados para evitar o recebimento de novas tarefas. O levantamento ouviu 2.487 trabalhadores de diferentes áreas e investigou comportamentos relacionados à rotina profissional, produtividade, busca por novos empregos, faltas, uso do expediente e informações apresentadas em currículos.

Segundo os dados, 86,5% dos participantes disseram já ter adotado pelo menos um dos oito comportamentos analisados, considerados situações que geralmente não chegam ao conhecimento das empresas.

Entre os resultados, o comportamento mais citado foi a busca por outro emprego sem comunicar o atual empregador. Ao todo, 69,4% dos entrevistados afirmaram já ter procurado uma nova oportunidade profissional de forma discreta. Na amostra pesquisada, isso corresponde a 1.726 pessoas.

Outro dado relevante mostra que 66,8% dos participantes já resolveram assuntos pessoais durante o horário de trabalho. Além disso, 54,7% disseram ter participado de entrevistas para outras vagas durante o expediente.

A pesquisa também apontou que 51,2% dos profissionais já informaram que estavam trabalhando enquanto, na realidade, realizavam alguma atividade pessoal. Já 48,6% afirmaram ter aparentado estar ocupados para evitar o recebimento de novas demandas, o equivalente a 1.209 pessoas.

Entre os demais comportamentos identificados estão a criação ou exagero de justificativas para atrasos ou faltas, o uso de atestados mesmo quando o trabalhador considerava ter condições de trabalhar e a apresentação de informações incorretas ou exageradas em currículos.

Os principais resultados foram: 69,4% já procuraram outro emprego sem informar a empresa atual; 66,8% já resolveram assuntos pessoais durante o expediente; 54,7% já participaram de entrevistas para outras vagas durante o horário de trabalho; 51,2% disseram estar trabalhando enquanto realizavam uma atividade pessoal; 48,6% já fingiram estar ocupados para evitar novas tarefas; 39,7% já inventaram ou exageraram justificativas para atrasos ou ausências; 33,6% já utilizaram atestado mesmo considerando que poderiam trabalhar; e 29,4% já omitiram, exageraram ou apresentaram informações incorretas no currículo.

Batizada de "A Vida Secreta do Trabalhador Brasileiro", a pesquisa busca identificar comportamentos que podem permanecer fora dos indicadores tradicionais utilizados pelas empresas para acompanhar a rotina de seus funcionários.

Para Elcio Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, os resultados precisam ser interpretados considerando que os comportamentos investigados possuem naturezas diferentes. Procurar outro emprego, por exemplo, não pode ser colocado na mesma categoria de fornecer informações falsas em um currículo.

Segundo o executivo, os números também mostram uma diferença entre aquilo que as organizações conseguem acompanhar por meio de sistemas e indicadores e o que efetivamente acontece no cotidiano dos trabalhadores.

Na avaliação apresentada pela empresa, a pesquisa não permite afirmar que a maioria dos profissionais esteja insatisfeita ou desengajada. Os dados mostram, principalmente, que determinadas atitudes permanecem fora do conhecimento dos empregadores.

O comportamento relacionado à tentativa de evitar novas tarefas também chamou atenção dos pesquisadores. Quase metade dos entrevistados afirmou já ter aparentado estar ocupada para impedir que novas demandas fossem atribuídas a ela.

Para Louis Burlamaqui, especialista em cultura organizacional, esse comportamento pode estar relacionado à dificuldade de estabelecer limites de maneira direta em determinados ambientes profissionais.

A situação pode ocorrer quando trabalhadores considerados mais produtivos passam a receber continuamente novas atividades. Nesse cenário, aparentar indisponibilidade pode acabar funcionando como uma forma informal de proteção contra o excesso de demandas.

O especialista afirma que o resultado não significa que 86,5% dos trabalhadores estejam desengajados. Para ele, os dados apontam para uma possível distância entre aquilo que os profissionais vivenciam durante a jornada e aquilo que se sentem à vontade para comunicar às empresas.

Uma das alternativas apontadas é ampliar o diálogo entre gestores e equipes sobre prioridades, capacidade de entrega e volume de trabalho. A definição clara sobre quais tarefas devem ser priorizadas também pode ajudar a evitar que o trabalhador precise recorrer a estratégias informais para sinalizar que atingiu seu limite.

A procura por uma nova oportunidade também aparece entre os comportamentos mais frequentes identificados pelo levantamento.

Embora 69,4% dos entrevistados tenham afirmado já ter buscado outro emprego sem comunicar a empresa atual, os especialistas ouvidos destacam que esse comportamento, isoladamente, não significa necessariamente insatisfação.

A busca por novas oportunidades pode fazer parte da trajetória profissional e estar relacionada a fatores como remuneração, crescimento na carreira, reconhecimento, mudanças de área ou interesse por novos desafios.

O levantamento também investigou situações relacionadas a ausências e processos seletivos. Entre os entrevistados, 39,7% disseram já ter inventado ou exagerado uma justificativa para atrasos ou faltas. Outros 33,6% afirmaram ter utilizado um atestado médico mesmo considerando que poderiam trabalhar.

Já 29,4% reconheceram ter omitido, exagerado ou apresentado informações incorretas em seus currículos durante processos seletivos.

O levantamento foi realizado entre 1º e 11 de setembro de 2026 e ouviu 2.487 profissionais das cinco regiões brasileiras.

Os participantes foram selecionados a partir da base da Heach Recursos Humanos, que reúne mais de 14 milhões de currículos, e responderam a um questionário estruturado em ambiente digital.

A amostra procurou contemplar diferenças de idade, escolaridade, região, nível hierárquico e modelo de trabalho. Para cada um dos oito comportamentos analisados, os participantes podiam responder "sim", "não" ou "prefiro não responder".

Segundo a empresa, os resultados representam exclusivamente os participantes do levantamento. A própria metodologia destaca que a amostra foi formada a partir da base de profissionais da Heach, fator que deve ser considerado na interpretação dos números.

Os dados colocam em discussão temas como carga de trabalho, confiança, produtividade, limites profissionais e comunicação entre funcionários e empresas, mostrando que parte da rotina de trabalho pode permanecer fora dos indicadores acompanhados pelas organizações.

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