Mais de 2 mil contratos do FIES estão inadimplentes em Petrópolis, com dívida de R$ 110 milhões
Levantamento aponta 2.063 contratos com mais de 90 dias de atraso; programa Desenrola FIES já renegociou 181 dívidas na cidade
Foto: José Cruz / Agência Brasil Mais de 2 mil contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) estão com parcelas atrasadas há mais de 90 dias em Petrópolis. Ao todo, são 2.063 contratos em situação de inadimplência, que juntos representam uma dívida de aproximadamente R$ 110,7 milhões. Os dados são da Base Gerencial do FIES/Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com informações consolidadas até 30 de setembro de 2026.
Desse total, 181 contratos já foram renegociados por meio do Desenrola FIES. As dívidas envolvidas nessas negociações somavam cerca de R$ 12,6 milhões. Com os descontos concedidos pelo programa, aproximadamente R$ 9,8 milhões foram abatidos, fazendo com que o saldo final dessas renegociações caísse para cerca de R$ 2,8 milhões.
O Desenrola FIES é uma alternativa para estudantes que enfrentam dificuldades para quitar o financiamento estudantil e pode representar uma redução significativa no valor da dívida. O programa permite descontos de até 99%, dependendo do tempo de atraso e do perfil do beneficiário.
A situação de Petrópolis acompanha uma realidade observada em outras regiões do país: dívidas relacionadas à educação estão entre aquelas que permanecem em atraso por mais tempo. Dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, apontam que contas de educação, incluindo escola e FIES, apresentam tempo médio de atraso de 15 meses. O período é superior ao registrado para empréstimos e cartões, que chega a 13 meses.
O comportamento está relacionado à prioridade dada pelos consumidores às despesas consideradas essenciais para o funcionamento da casa. Contas como internet, água, energia elétrica e telefone costumam ser regularizadas mais rapidamente, enquanto compromissos que não provocam uma interrupção imediata de um serviço podem permanecer em aberto por períodos maiores.
Para quem possui uma dívida com o FIES, o prazo para aderir ao Desenrola FIES 2026 vai até 31 de dezembro. A renegociação deve ser feita diretamente com o agente financeiro responsável pelo contrato, que pode ser a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil.
As regras, no entanto, variam de acordo com a situação de cada contrato. Podem ser beneficiados contratos formalizados até 2017 que já estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026. Dívidas com diferentes períodos de atraso têm condições específicas de desconto e parcelamento.
Nos contratos com atraso de até 90 dias, por exemplo, pode ser concedido desconto de 12% sobre o valor consolidado para pagamento à vista. Para débitos com mais de 90 dias de atraso, há possibilidade de desconto integral de juros e multas, além de redução de até 12% do valor principal para quitação à vista. Também existe a possibilidade de parcelamento em até 150 meses, com perdão integral dos juros e das multas.
Para estudantes inscritos no CadÚnico e com dívidas vencidas há mais de 360 dias, o desconto pode chegar a 99% do valor consolidado para pagamento integral. Para outros estudantes com débitos no mesmo período de atraso, o abatimento pode chegar a 77%.
Mesmo estudantes que não estão inadimplentes podem encontrar condições especiais. Contratos do FIES que estão em dia também podem ter direito a desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida para pagamento à vista, desde que se enquadrem nos critérios do programa, incluindo contratos formalizados até 2017 e em fase de amortização em 4 de maio de 2026.
Na prática, isso permite que beneficiários que mantêm as parcelas em dia também consultem o banco responsável pelo financiamento para verificar se existe a possibilidade de antecipar o pagamento com desconto.
A inadimplência do FIES também pode trazer outras consequências para o estudante. Uma delas é a possibilidade de inclusão do CPF em cadastros de proteção ao crédito, o que pode dificultar a contratação de empréstimos, financiamentos, cartões e compras parceladas.
Dependendo da situação, a dívida também pode resultar na inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), registro utilizado para débitos com órgãos públicos federais. Por isso, estudantes que possuem contratos em atraso devem procurar a Caixa ou o Banco do Brasil para verificar as condições disponíveis e avaliar a possibilidade de regularização dentro do prazo do programa.
Em Petrópolis, os mais de R$ 110 milhões em dívidas em atraso mostram o tamanho do desafio enfrentado por milhares de estudantes e ex-estudantes que ainda carregam parcelas do financiamento. Para quem se enquadra nas regras, o Desenrola FIES pode ser uma oportunidade de reduzir o valor devido e voltar a organizar a vida financeira.




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