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Parar as canetas de emagrecimento pode trazer o peso de volta; estudo testa como evitar

Pesquisa acompanhou pessoas que interromperam medicamentos GLP-1 e encontrou menor reganho de peso entre participantes que receberam apoio comportamental ou refeições personalizadas.


Parar as canetas de emagrecimento pode trazer o peso de volta; estudo testa como evitar Foto: AFP

Perder peso pode ser apenas o começo de uma jornada ainda mais difícil: conseguir manter o resultado depois de interromper os medicamentos usados no tratamento da obesidade. Um novo estudo avaliou justamente esse período e encontrou sinais de que um acompanhamento estruturado pode ajudar a reduzir o reganho de peso após a suspensão dos chamados medicamentos GLP-1.

A pesquisa acompanhou 39 adultos que haviam perdido mais de 10% do peso corporal enquanto utilizavam medicamentos da classe e tinham parado o tratamento menos de 30 dias antes do início do estudo. Durante quatro meses, os participantes foram divididos em três grupos: um recebeu os cuidados habituais, outro utilizou um aplicativo voltado para mudança de comportamento e um terceiro recebeu refeições preparadas de acordo com suas necessidades.

A diferença apareceu na balança. Os participantes que receberam apenas os cuidados habituais recuperaram, em média, 10,75% do peso corporal durante o período analisado. Já entre os que utilizaram o aplicativo, o reganho foi de 3,60%. No grupo que recebeu refeições personalizadas, o aumento ficou em 3,58%.

Na prática, o reganho observado entre aqueles que receberam apenas os cuidados habituais foi cerca de três vezes maior do que o registrado nos dois grupos que tiveram algum tipo de suporte estruturado. Os resultados foram publicados na revista científica Obesity Science & Practice.

O estudo chama atenção principalmente para os primeiros meses depois da interrupção do medicamento. Segundo os pesquisadores, trabalhos anteriores já indicavam que o reganho tende a ser mais intenso nos primeiros três a quatro meses após a suspensão abrupta do tratamento. Em um período de um ano, muitos pacientes podem recuperar uma parcela significativa do peso perdido.

Isso acontece porque emagrecer provoca mudanças no próprio organismo. A perda de peso pode aumentar a fome, reduzir a sensação de saciedade e diminuir o gasto energético. Ao mesmo tempo, antigos hábitos, facilidade de acesso a determinados alimentos e dificuldades para manter uma nova rotina também podem contribuir para que os quilos retornem.

Foi justamente nesse ponto que os pesquisadores decidiram intervir. O aplicativo utilizado no estudo incentivava o acompanhamento da alimentação, do peso e da atividade física, além de trabalhar estratégias para lidar com situações que poderiam levar ao consumo excessivo de alimentos.

A outra estratégia foi diferente: em vez de ensinar novas ferramentas de comportamento, os participantes receberam refeições prontas. Eles podiam escolher dez refeições por semana entre mais de 70 opções, que eram entregues em casa. A ideia era facilitar a rotina, reduzir a necessidade de planejamento e oferecer porções previamente definidas.

Os resultados sugerem que as duas abordagens podem ter ajudado de maneiras diferentes. Enquanto o aplicativo exigia maior participação do usuário para desenvolver novos hábitos, as refeições prontas diminuíam parte das decisões envolvidas no dia a dia.

Apesar dos resultados animadores, os próprios pesquisadores reforçam que ainda não é possível tratar as estratégias como uma solução definitiva. O estudo foi pequeno, com apenas 39 participantes, e somente 34 chegaram à avaliação final. Além disso, o acompanhamento durou apenas quatro meses e a maioria dos participantes era formada por mulheres.

Outro ponto importante é que os pesquisadores ainda não sabem se a diferença observada permaneceria por um período mais longo. Por isso, novos estudos, com mais participantes e acompanhamento de pelo menos um ano, serão necessários para confirmar os resultados.

A principal mensagem do trabalho é que simplesmente parar o medicamento pode não ser suficiente para quem deseja manter o peso perdido. O período logo após a interrupção pode ser especialmente importante e talvez precise ser acompanhado de estratégias nutricionais e comportamentais.

Os resultados não significam que todas as pessoas que interrompem um GLP-1 terão o mesmo reganho de peso, nem que aplicativos ou refeições prontas sejam indicados para todos. A pesquisa aponta apenas que ter um suporte estruturado nesse momento pode fazer diferença — uma questão que ainda precisa ser estudada com mais profundidade.

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