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Estudo aponta que mais de 72 mil pessoas vivem em áreas de risco em Petrópolis

Pesquisa identifica moradores expostos a inundações e deslizamentos e alerta para a necessidade de fortalecer a assistência social e a preparação para desastres


Estudo aponta que mais de 72 mil pessoas vivem em áreas de risco em Petrópolis Foto: Reprodução Internet

Mais de 72 mil moradores de Petrópolis vivem em áreas sujeitas a inundações e deslizamentos. O dado faz parte de um estudo desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que analisou a exposição de unidades da assistência social a áreas de risco em municípios brasileiros.

De acordo com a pesquisa, Petrópolis tem 72.070 pessoas vivendo nessas regiões. O levantamento também identificou unidades dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) situadas em áreas de risco ou próximas a elas, destacando a necessidade de melhorias na infraestrutura e de planejamento para situações de emergência.

O estudo, intitulado “Desafios à proteção social: a exposição dos Centros de Referência de Assistência Social a riscos de inundações e deslizamentos”, foi publicado em 2026 na Revista Brasileira de Ciências Ambientais. A pesquisa faz parte do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela Fapesp.

Os CRAS desempenham um papel fundamental no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade social. Por isso, os pesquisadores alertam que a localização dessas unidades em áreas sujeitas a desastres pode dificultar o atendimento justamente nos momentos em que a população mais precisa de apoio, durante e após episódios de chuvas intensas, inundações e deslizamentos.

Petrópolis também aparece entre os municípios da Bacia do Rio Paraíba do Sul com histórico de ocorrências graves. Segundo o levantamento, a cidade registrou 17 desastres associados a movimentos de massa, como deslizamentos, entre 2003 e 2022. O estudo ainda relembra a tragédia de 2011, que atingiu a Região Serrana do Rio de Janeiro e deixou mais de mil mortos.

Petrópolis e Juiz de Fora, em Minas Gerais, concentram juntas aproximadamente 38% da população residente nas áreas de risco identificadas na Bacia do Rio Paraíba do Sul. A pesquisa também aponta a existência de nove unidades de CRAS dentro dessas áreas ou a menos de 100 metros de seus limites.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores cruzaram informações do Índice de Desenvolvimento dos CRAS (IDCRAS) com a Base Territorial Estatística de Áreas de Risco (BATER), desenvolvida pelo IBGE e pelo Cemaden. Ao todo, foram analisadas 2.277 unidades de assistência social distribuídas por 806 municípios brasileiros.

Os autores destacam que a integração de dados sobre vulnerabilidade social, infraestrutura e riscos ambientais pode ajudar o poder público a identificar prioridades e planejar ações preventivas. A proposta é fortalecer a capacidade de resposta dos municípios, reduzir os impactos dos desastres e garantir que os serviços essenciais continuem funcionando mesmo durante situações de emergência.

O artigo científico está disponível gratuitamente, em inglês, no site da Revista Brasileira de Ciências Ambientais.

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