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Lívia Ikeda Martins

Psicologia e Inteligência Artificial: como a tecnologia redefine o perfil dos pacientes nos consultórios

Pesquisa aponta aumento da busca online por diagnósticos emocionais e alerta para riscos de interpretações equivocadas

Créditos: internet
Psicologia e Inteligência Artificial: como a tecnologia redefine o perfil dos pacientes nos consultórios Dra. Paula Approbato de Oliveira

São Paulo, novembro de 2025 – A psicologia vive um momento de transformação. Durante décadas, a profissão foi injustamente associada apenas ao tratamento de transtornos mentais graves, marcada pelo estigma de ser “ciência para loucos”. Hoje, os avanços das Neurociências e as evidências empíricas sobre o funcionamento cerebral e a eficácia da psicoterapia ampliaram a credibilidade e a visibilidade da área.

Paralelamente, a ascensão das inteligências artificiais (IA) tem impactado diretamente os consultórios. Pacientes chegam cada vez mais com diagnósticos autoatribuídos, após realizarem testes online ou consultarem plataformas digitais. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde, o Brasil lidera os índices de ansiedade e depressão na América Latina, com 19 milhões de pessoas afetadas. Esse cenário tem impulsionado a procura por informações rápidas na internet, mas também traz riscos.

De acordo com estudos recentes, o fenômeno da “cibercondria” – quando indivíduos recorrem excessivamente à internet para interpretar sintomas – pode intensificar a ansiedade e atrasar tratamentos eficazes. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) reforça que o uso da IA deve estar alinhado a princípios éticos e nunca substituir o julgamento clínico humano - Conselho Federal de Psicologia.

A psicóloga Dra. Paula Approbato de Oliveira, especialista em Neuropsicologia pelo Instituto de Psiquiatria da USP, alerta: “É preciso cautela. A facilidade de acesso a informações superficiais pode gerar estigmas desnecessários e interpretações equivocadas. A tecnologia pode apoiar, mas não substitui o vínculo terapêutico e a escuta qualificada, que são o coração da prática psicológica.”

Além do comportamento dos pacientes, a prática profissional também está em mutação. Psicólogos têm recorrido à IA para organizar dados, analisar padrões e acompanhar o progresso terapêutico. Contudo, especialistas ressaltam que o equilíbrio entre inovação e tradição é fundamental.

Em tempos de hiperconectividade e diagnósticos instantâneos, a Psicologia enfrenta o desafio de conciliar ciência e sensibilidade. O trabalho terapêutico continua sendo uma construção subjetiva e singular – algo que nenhuma máquina é capaz de replicar integralmente.

Sobre a especialista Dra. Paula Approbato de Oliveira

A Dra. Paula Approbato de Oliveira é graduada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2005), Doutora em Ciências e especialista em Neuropsicologia pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (2013). Possui pós-graduação em Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness (2023) e mais de 20 anos de experiência em Psicologia Clínica e casos mediados pela Vara da Infância e Juventude e Varas de Família.



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