Sandra de Angelis
Sobre Tainara, a moça atropelada, e o machismo estrutural
Às mulheres, um alerta: fiquem atentas ao primeiro sinal de violência de seus parceiros, familiares e amigos. As agressões, em sua maioria, vêm de quem está bem próximo de nós. Não aceitem nada menos que respeito.
Desde que eu soube de mais esse ato hediondo, da torturapraticada por mais um macho indignado, eu pedi a misericórdia divina, para queTainara pudesse morrer em paz. Sua vida já tinha sido ceifada, não havia maisnada a fazer a não ser perpetrar mais sofrimento.
Creio que na mente das pessoas "normais" venha apergunta:
· "O que está acontecendo, nesses novostempos?
· Por que pessoas jovens e supostamente vivendo emuma sociedade desenvolvida, praticam atos primitivos e abjetos contra asoutras?
· Por que a maioria é homem contra mulheres com asquais teve algum relacionamento íntimo?
O machismo estrutural está entre nós mesmo antes da genteidentificar com esse nome. Ao assistir à série "Cleópatra", daNetflix, lembrei que a sociedade construída no Egito Antigo praticamentesacralizava a mulher.
Daí vem o Império Romano, voraz, predador, poderoso edepara-se com um território governado por uma mulher...nas entrelinhas dasérie, a gente vê os julgamentos da sociedade romana imperialista contra aconduta de Cleópatra, que primeiro, teve um relacionamento com o general JúlioCesar. Quando Júlio Cesar morreu, outro general, Marco Antonio, envolveu-se coma rainha do Egito.
Não tenho repertório para detalhamentos, mas como meraobservadora da História, um império como o Egito, foi deposto pela fragilidadeeconômica e pela misoginia romana. A dominação seguiu o rito típico: violênciae devastação à cultura dominada, uma rota que se perpetua através da História,ou até, da Pré-história.
No Egito Antigo, era a mulher que decidia casar-se, manterou não o casamento, etc. A figura feminina era sagrada, simplesmente porque écapaz de gerar a vida. Também o era entre os povos tântricos, que consta teremvivido nos extremos do Tibet, China e Índia. Sua vida e legados teriam sidodizimados pelas Cruzadas, muitos séculos depois da tomada do Egito, mas pelomesmo modus operandi - Invasão, morte, sublimação, e pelas raízes do ImpérioRomano.
Houve também a imposição de dogmas religiosos, que teriamjustificado os massacres praticados, ironicamente, para resgatar a humanidade,e mais irônico ainda, em nome de Jesus.
Os pregadores sublimam, por exemplo, passagens bíblicas doNovo Testamento, onde Jesus encontra uma samaritana no poço da cidade equebrando protocolos sociais da época (mais um), ele se dirige a uma mulherdesacompanhada... para Ele, tanto faz ser mulher ou homem, porque seu propósitoera muito maior do que esses papos de gênero.
E no púlpito de domingo, os pregadores misturam premissasprovenientes de opressores clássicos descritos no Velho Testamento, comelementos soltos do Novo Testamento, replicando modelos e referências sociaisde mais de 2.000 anos.
No outro extremo social, as letras de funks e sofrências sertanejas martelam na mente de jovens, outro tanto de equívocos e perversão, antagônicosaos primeiros, mas igualmente perversos e equivocados. As premissas também sãomisóginas e dão ênfase ao machismo estrutural e à mulher ‘objetificada’ nas relações.
É urgente que essas premissas hediondas sejam desconstruídas.Hoje temos tecnologia e informações suficientes para vivermos em uma sociedaderespeitosa, nos livrando da violência e da opressão.
NADA justifica replicar a sordidez dos invasores de qualquer tempo.
Às mulheres, um alerta: fiquem atentas ao primeiro sinal de violência de seus parceiros, familiares e amigos. As agressões, em sua maioria,vêm de quem está bem próximo de nós. Não aceitem nada menos que respeito.




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