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Endividamento das famílias brasileiras atinge nível recorde em julho

Oito em cada dez famílias têm dívidas, enquanto cartão de crédito segue como principal responsável pelo comprometimento da renda


Endividamento das famílias brasileiras atinge nível recorde em julho Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em julho. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias afirmaram possuir algum tipo de dívida a vencer, o maior percentual desde o início da série histórica.

Em comparação com junho, quando o índice era de 81,6%, houve aumento de 0,4 ponto percentual. Na comparação com julho de 2025, a alta foi de 3,5 pontos percentuais, marcando o sexto recorde consecutivo do levantamento.

Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência apresentou leve queda. O percentual de famílias com contas em atraso passou de 29,9% para 29,8%, resultado atribuído, em parte, aos primeiros meses do programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas.

O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo elevado nível de endividamento, seguido por financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas. Segundo especialistas, a facilidade de acesso ao crédito e o hábito do parcelamento contribuem para o comprometimento crescente da renda das famílias.

A pesquisa também mostrou que 19% dos consumidores destinam mais da metade dos rendimentos ao pagamento de dívidas, o maior percentual desde março deste ano. Em média, as famílias comprometem 29,5% da renda mensal com pagamentos.

As famílias com renda de até três salários mínimos seguem sendo as mais afetadas. Nesse grupo, 84,9% possuem dívidas e a inadimplência subiu para 38,5%. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento chegou a 72%, embora o índice de contas em atraso tenha registrado leve recuo.

Para a CNC, apesar da melhora em alguns indicadores, o cenário ainda exige cautela, já que o elevado comprometimento da renda pode continuar pressionando o orçamento das famílias e afetando o consumo nos próximos meses.

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