Lula defende soberania e afirma na ONU que Brasil não cabe no quintal de ninguém
Presidente destacou a não interferência externa, defendeu o multilateralismo e abordou temas como eleições, meio ambiente, comércio internacional, tecnologia e recursos naturais
Foto: TIMOTHY A. CLARY/AFP O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na última terça-feira (22) a soberania nacional e a não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em sua fala, o presidente afirmou que o Brasil não se subordina a outros países e destacou a necessidade de fortalecer o multilateralismo.
Ao abordar o cenário internacional, Lula afirmou que os países precisam escolher entre diferentes caminhos para enfrentar os desafios atuais, citando temas como multilateralismo, democracia e soberania. O presidente também defendeu que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos.
Em um dos principais trechos do discurso, Lula afirmou que a proximidade geográfica do Brasil com os Estados Unidos é uma realidade, mas ressaltou que o país deve manter relações baseadas em cooperação e desenvolvimento. A declaração ocorreu em meio a tensões diplomáticas entre os dois países.
Lula também mencionou o processo eleitoral brasileiro e afirmou que não permitirá interferências externas na escolha dos eleitores. Segundo o presidente, a democracia brasileira pertence aos brasileiros e a vontade popular deve ser respeitada.
Comércio e relações internacionais
Outro ponto abordado foi a política comercial. Lula criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão entre países e afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma crise. Apesar das medidas tarifárias aplicadas sobre produtos brasileiros, o presidente declarou que o país deve registrar um novo recorde de exportações.
O presidente também defendeu a ampliação do multilateralismo e uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Para Lula, a organização precisa ter maior capacidade de atuar diante dos conflitos internacionais e das transformações que ocorrem no cenário global.
A cooperação internacional também apareceu no trecho dedicado ao combate ao crime organizado. Lula afirmou que o Brasil precisa de colaboração para combater o fluxo de armas e recursos financeiros destinados às organizações criminosas, mas rejeitou a necessidade de uma atuação militar estrangeira em território brasileiro.
Meio ambiente e recursos naturais
Na área ambiental, Lula destacou a redução do desmatamento na Amazônia e afirmou que o Brasil pode conciliar preservação ambiental, redução das emissões e desenvolvimento econômico.
O presidente também defendeu a exploração de recursos naturais estratégicos, incluindo terras raras e áreas da chamada Margem Equatorial. Segundo Lula, a utilização dessas riquezas deve gerar benefícios econômicos dentro do próprio país, com agregação de valor, transferência de tecnologia e fortalecimento de setores estratégicos nacionais.
Durante o discurso, Lula ainda abordou a transição energética e destacou a posição do Brasil na produção de energia de fontes renováveis. A defesa apresentada pelo presidente combina a preservação ambiental com a utilização de recursos naturais considerados estratégicos para a economia.
Tecnologia e plataformas digitais
A inteligência artificial e a atuação das grandes empresas de tecnologia também fizeram parte do discurso. Lula defendeu a criação de regras para o ambiente digital e criticou o desenvolvimento de novas tecnologias sem mecanismos de controle e transparência.
O presidente também mencionou o Pix e afirmou que o Brasil não deve ceder a pressões de empresas interessadas em alterar o modelo do sistema de pagamentos. O tema foi apresentado no contexto da defesa da soberania econômica e tecnológica do país.
A 81ª Assembleia Geral da ONU reúne representantes dos 193 Estados-membros. Pela tradição mantida desde 1955, o Brasil abriu o debate geral, seguido pelos Estados Unidos. A programação da Assembleia Geral ocorre entre 22 e 28 de setembro de 2026.





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