O que é o Pisa? Entenda como funciona a avaliação internacional da educação
Exame da OCDE avalia estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências e permite comparar o desempenho educacional entre diferentes países
Foto: Freepik O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é uma avaliação internacional coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos em diferentes sistemas educacionais. A avaliação busca verificar não apenas o domínio de conteúdos escolares, mas também a capacidade dos jovens de utilizar conhecimentos para resolver problemas, interpretar informações e lidar com situações do cotidiano.
Realizado em ciclos periódicos, o Pisa permite comparar o desempenho dos estudantes entre países e acompanhar a evolução dos sistemas educacionais ao longo do tempo. Em 2025, mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias participaram da avaliação, representando aproximadamente 33 milhões de jovens de 15 anos. No Brasil, 30.140 estudantes de 1.053 escolas participaram do exame, representando cerca de 2,18 milhões de estudantes da mesma faixa etária.
A avaliação considera três áreas principais: Matemática, Leitura e Ciências. Em cada edição, uma dessas áreas recebe maior destaque. No Pisa 2025, Ciências foi o domínio principal, enquanto Matemática e Leitura foram avaliadas como áreas secundárias. A edição também incluiu uma avaliação de resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais.
A prova é aplicada por meio de uma amostra de estudantes selecionados de acordo com critérios definidos pela OCDE. Os participantes realizam testes que combinam questões de múltipla escolha e perguntas nas quais precisam construir suas próprias respostas. O objetivo é avaliar competências que vão além da simples memorização de conteúdos, incluindo interpretação, raciocínio, análise de informações e aplicação de conhecimentos em diferentes situações.
No Pisa 2025, o Brasil registrou média de 409 pontos em Ciências, 377 em Matemática e 408 em Leitura. As três pontuações ficaram abaixo das médias dos países da OCDE, que foram de 482 pontos em Ciências, 463 em Matemática e 461 em Leitura.
Em comparação com o Pisa 2022, os resultados brasileiros permaneceram estatisticamente estáveis nas três áreas. Em Ciências, a variação foi de seis pontos; em Matemática, houve redução de dois pontos; e, em Leitura, também houve redução de dois pontos. Segundo a OCDE, essas mudanças não foram estatisticamente significativas. A organização também aponta que, de maneira geral, o desempenho brasileiro permanece próximo dos níveis registrados desde 2015.
Os dados de proficiência mostram ainda que 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 em Matemática, considerado o patamar mínimo de proficiência utilizado pelo Pisa. Em Leitura, a proporção foi de aproximadamente 49%, enquanto em Ciências ficou em cerca de 48%. Na média da OCDE, esses percentuais foram de 65% em Matemática, 69% em Leitura e 74% em Ciências.
Em relação ao desempenho de alto nível, aproximadamente 1% dos estudantes brasileiros alcançou os níveis 5 ou 6 em Ciências e também cerca de 1% atingiu o nível 5 ou superior em Leitura. Em Matemática, a OCDE afirma que quase nenhum estudante brasileiro alcançou os níveis 5 ou 6. Na média dos países da organização, 7% dos estudantes chegaram aos níveis mais altos em Ciências, 6% em Leitura e 8% em Matemática.
O resultado também evidencia a influência das condições socioeconômicas sobre a aprendizagem. No Brasil, estudantes pertencentes aos 25% com maior nível socioeconômico tiveram desempenho em Ciências 96 pontos superior ao dos 25% em situação menos favorecida. A diferença média entre esses dois grupos nos países da OCDE foi de 85 pontos.
Segundo a organização, o status socioeconômico explicou 16% da variação no desempenho em Ciências entre os estudantes brasileiros, contra 12% na média da OCDE.
O Pisa não é uma avaliação censitária de todos os estudantes brasileiros e seus resultados não substituem avaliações nacionais, como o Saeb. Os dados devem ser interpretados considerando a metodologia, a amostra selecionada e os intervalos de incerteza da avaliação.
Ainda assim, os resultados permitem acompanhar tendências da educação brasileira e identificar diferenças de aprendizagem entre grupos de estudantes. No caso do Brasil, o Pisa 2025 mostra um cenário de estabilidade em relação a 2022, mas com desempenho médio abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas e diferenças importantes relacionadas ao nível socioeconômico dos estudantes.





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