Maracanã na mira: investigação do MP aperta o cerco sobre Flamengo e Fluminense
Inquérito apura possível superlotação e divergências na venda e utilização de ingressos; clubes e empresas envolvidas foram chamados a apresentar documentos e esclarecimentos
Foto: Reprodução / x A situação envolvendo Flamengo, Fluminense e a administração do Maracanã ganhou novos capítulos e está longe de ser encerrada. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) mantém aberto um inquérito civil para investigar possíveis casos de superlotação em partidas dos dois clubes no estádio. A apuração foi instaurada pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST) e considera jogos realizados entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.
O ponto central da investigação é saber se, em determinadas partidas, foram emitidos ingressos em quantidade superior à capacidade permitida para alguns setores do Maracanã. O MP-RJ solicitou informações detalhadas sobre ingressos vendidos, cortesias e gratuidades, além do número efetivamente utilizado e de pessoas que tiveram acesso ao estádio, setor por setor. A intenção é confrontar os números e verificar se houve justificativa técnica para eventuais diferenças.
E a pressão não está restrita aos clubes. O Flamengo, o Fluminense, a empresa Fla-Flu Serviços, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) e empresas ligadas à venda e logística dos ingressos foram acionados pelo Ministério Público. As respostas são consideradas parte da etapa de coleta de informações que deverá subsidiar os próximos passos da investigação.
A apuração ganhou ainda mais atenção após reportagens apontarem possíveis inconsistências nos borderôs e uma estimativa de movimentação financeira que poderia chegar a cerca de R$ 1 milhão por mês. Esse valor, porém, aparece em reportagens sobre a investigação e não representa, até o momento, uma conclusão oficial do Ministério Público sobre eventual desvio.
Paralelamente, a gestão do Maracanã também enfrenta outro procedimento. O governo do Estado aplicou uma multa de R$ 401.217,48 ao Consórcio Fla-Flu por questões relacionadas à gestão do complexo. A concessionária recorreu, e a cobrança está suspensa enquanto o recurso é analisado. Um relatório de verificação independente havia apontado problemas na comprovação de serviços de manutenção realizados em 2025.
Até o momento, portanto, não há conclusão definitiva do MP-RJ apontando responsabilidade ou irregularidade comprovada por parte de Flamengo ou Fluminense. O que existe oficialmente é um inquérito em andamento, com coleta e análise de documentos para esclarecer se houve venda de ingressos acima da capacidade de determinados setores e quais foram as circunstâncias dessas ocorrências.
Enquanto isso, a administração do Maracanã afirma que irá fornecer as informações solicitadas. O CEO do consórcio, Fred Nantes, chegou a classificar publicamente a investigação como "midiática", mas afirmou que os dados pedidos pelo Ministério Público seriam apresentados dentro do prazo.





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