Banco Central prepara medidas contra oferta de crédito predatória
Galípolo afirma que órgão pretende limitar linhas de crédito mais arriscadas e criar mecanismos para estimular consumidores a tomar decisões com mais cautela
Foto: Fernando Donasci/Agência O Globo O Banco Central está preparando um conjunto de medidas para tentar conter o que considera uma oferta de crédito “agressiva” ou até “predatória” no sistema financeiro. O presidente do órgão, Gabriel Galípolo, afirmou que as ações serão implementadas gradualmente e devem atingir principalmente modalidades consideradas mais arriscadas, com custos elevados e, em muitos casos, sem garantias.
Segundo Galípolo, a preocupação está relacionada à estabilidade financeira e não depende do momento do ciclo econômico. A intenção é reduzir situações em que consumidores assumem dívidas sem avaliar adequadamente os custos e as condições do crédito contratado.
Entre as modalidades que despertam maior atenção está o cartão de crédito. Galípolo afirmou que a inadimplência nessa modalidade chega a 65%, índice que, na avaliação do presidente do BC, evidencia problemas na estrutura e no funcionamento desse tipo de crédito no país.
Além de estabelecer possíveis restrições para determinadas linhas, o Banco Central também estuda mudanças na experiência dos consumidores. A proposta é criar mecanismos que funcionem como uma espécie de “atrito” antes da contratação, dando ao cliente mais tempo para refletir sobre a operação e compreender melhor os riscos envolvidos.
A ideia considera que a forma como os produtos financeiros são apresentados pode influenciar diretamente a decisão do consumidor. Por isso, as medidas em estudo também devem buscar ampliar a consciência sobre o impacto de empréstimos e financiamentos no orçamento, especialmente entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade ou risco de superendividamento.
Galípolo citou experiências adotadas em outros países como referência para o debate. Em alguns mercados, consumidores classificados como vulneráveis ou superendividados precisam autorizar previamente determinadas ofertas de crédito. Em Singapura, por exemplo, existem regras que estabelecem critérios sobre quem pode ter acesso a cartões de crédito.
O Banco Central ainda não detalhou quais medidas serão adotadas nem quando entrarão em vigor. A expectativa é que as iniciativas sejam anunciadas de forma gradual, conforme o órgão avance nos estudos sobre as modalidades de crédito consideradas mais problemáticas.





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