Publicidade

Um em cada cinco jovens no Brasil entra no ensino médio, mas não consegue concluir

Relatório da OCDE mostra que 20% dos estudantes brasileiros deixam a etapa sem diploma e não permanecem matriculados; índice supera a média internacional de 12%


Um em cada cinco jovens no Brasil entra no ensino médio, mas não consegue concluir Foto: Cacá Trovó/EPTV

Chegar ao ensino médio ainda não significa conseguir concluí-lo para uma parcela expressiva dos jovens brasileiros. Um em cada cinco estudantes que ingressam nessa etapa no Brasil não consegue terminar os estudos e também não permanece matriculado até dois anos depois do prazo previsto para a conclusão.

Os dados fazem parte do relatório Education at a Glance 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne e compara indicadores educacionais de diferentes países. No Brasil, 20% dos novos ingressantes estavam sem o diploma e fora da escola dois anos depois do período em que deveriam ter concluído o ensino médio. Na média dos países analisados, esse percentual é de 12%.

O levantamento mostra que 79% dos estudantes brasileiros conseguem concluir o ensino médio dentro desse intervalo. A média internacional é de 85%. Outros 1% dos alunos do Brasil ainda permanecem matriculados mesmo após dois anos do prazo esperado para terminar a etapa.

A comparação internacional ajuda a dimensionar o desafio. Enquanto o Brasil apresenta taxa de conclusão de 79%, países como Canadá e Suíça chegam a 90%, a Colômbia registra 91% e a Irlanda alcança 93%. A Turquia aparece com 99%. A Dinamarca, por outro lado, apresenta percentual de conclusão de 75%, abaixo do registrado no Brasil.

Os números também revelam uma diferença importante entre homens e mulheres. Entre os homens brasileiros, 23% deixam o ensino médio sem obter o diploma, percentual que aparece como o maior entre os países analisados nessa modalidade. O abandono entre os estudantes do sexo masculino é significativamente superior ao observado entre as mulheres.

Brasil e Israel também aparecem com uma diferença de oito pontos percentuais entre homens e mulheres na taxa de abandono da educação geral. De maneira mais ampla, os dados da OCDE indicam que as mulheres possuem probabilidade sete pontos percentuais maior de concluir o ensino médio do que os homens.

A diferença entre os gêneros não é uma característica exclusiva do Brasil. Na média dos países analisados, 9% dos homens deixam a educação geral antes da conclusão, enquanto entre as mulheres são 7%. Nos cursos de formação profissional, os percentuais chegam a 22% entre os homens e 18% entre as mulheres.

A OCDE destaca que deixar a escola raramente é consequência de um único problema. O abandono costuma ocorrer depois de um processo gradual de afastamento do estudante, influenciado por diferentes situações pessoais, familiares, econômicas e escolares.

Baixo desempenho, faltas frequentes e falta de motivação aparecem entre os fatores de risco. As condições socioeconômicas e experiências anteriores dos estudantes com a educação também podem contribuir. O próprio ambiente escolar ganha importância quando o jovem não encontra apoio ou não consegue estabelecer vínculos com a instituição.

Questões relacionadas ao sistema educacional também podem aumentar o risco de abandono. Entre os exemplos estão a repetência e a falta de alternativas de formação profissional que consigam aproximar a educação das perspectivas de trabalho e do projeto de vida dos jovens.

Apesar do quadro preocupante no ensino médio, o relatório também apresenta sinais de avanço na escolarização da população brasileira. Entre as pessoas de 25 a 34 anos, a parcela que não havia concluído o ensino médio caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024, redução de nove pontos percentuais.

Os indicadores, entretanto, analisam grupos e períodos diferentes e, portanto, não permitem afirmar que essa redução seja consequência direta da taxa atual de conclusão dos estudantes que entram no ensino médio.

Outro dado que chama atenção é a quantidade de jovens que permanecem afastados tanto da educação quanto do mercado de trabalho e de programas de formação. Em 2024, 22% dos brasileiros entre 18 e 24 anos não estavam empregados, estudando ou participando de treinamento. Em 2016, eram 27%.

O relatório também aponta desafios entre os profissionais da educação. Apenas 44,3% dos professores brasileiros do ensino fundamental II disseram estar satisfeitos com suas condições de trabalho, sem considerar a remuneração. Na média da OCDE, o percentual chega a 68,4%.

Quando a pergunta envolve especificamente os salários, a satisfação é ainda menor. Somente 22,3% dos professores brasileiros consultados disseram estar satisfeitos com a remuneração, enquanto a média dos países da OCDE é de 38,7%.

A diferença educacional também permanece quando se observa o acesso ao ensino superior. Em 2024, 22% dos brasileiros entre 25 e 64 anos possuíam formação superior. Entre os países da OCDE, a média era de 43%, quase o dobro do percentual brasileiro.

Os números mostram que o Brasil avançou na ampliação da escolaridade ao longo dos últimos anos, mas ainda enfrenta um desafio importante para transformar o ingresso na escola em conclusão efetiva dos estudos. Para milhares de jovens, o problema já não é apenas chegar ao ensino médio, mas encontrar condições para permanecer nele até receber o diploma.

Publicidade



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR