Flávio Bolsonaro admite possibilidade de revisão do fim da escala 6x1 em eventual governo
Após declarar apoio à proposta, senador sinalizou a empresários que o Congresso poderá discutir ajustes conforme os impactos da redução da jornada sobre empregos e custos das empresas.
Foto: Evaristo Sá/AFP O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, sinalizou a representantes do setor empresarial que a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 poderá passar por revisões no Congresso Nacional em um eventual governo. A possibilidade dependeria dos efeitos da mudança sobre o emprego, os custos das empresas e a atividade econômica.
A sinalização ocorreu após o parlamentar anunciar apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que prevê mudanças na jornada de trabalho. Em encontro com representantes da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio, realizado em São Paulo, Flávio indicou que pretende acompanhar os resultados da implementação antes de discutir possíveis ajustes.
A discussão ainda está em estágio inicial. Segundo interlocutores, não há definição sobre quais setores poderiam ser contemplados por mudanças ou quais alterações seriam apresentadas. A campanha do senador foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou.
A proposta em debate prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e a adoção de dois dias de descanso. Parte do empresariado demonstra preocupação com os custos adicionais que a medida poderá gerar, principalmente em atividades que exigem funcionamento contínuo, inclusive aos fins de semana.
Durante o encontro em São Paulo, representantes do setor produtivo ressaltaram que o apoio político à proposta não elimina a necessidade de avaliar seus efeitos sobre as contratações e a organização das empresas. A ideia discutida foi acompanhar os resultados da mudança antes de assumir compromissos com alterações imediatas.
Antes de declarar apoio ao fim da escala 6x1, Flávio e aliados defendiam uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê maior flexibilidade na contratação por horas trabalhadas e na negociação entre empregadores e funcionários, sem estabelecer obrigatoriamente a redução da jornada semanal para 40 horas ou dois dias de descanso.
Ao justificar a mudança de posição, Flávio afirmou que o governo deveria assumir parte dos custos adicionais decorrentes da redução da jornada. O senador, porém, não detalhou como funcionaria essa compensação, quais empresas poderiam ser beneficiadas ou de onde viriam os recursos.
A preocupação dos empresários também envolve outros desafios previstos para 2027, como a implementação da Reforma Tributária, a escassez de mão de obra, o endividamento público e os juros elevados. Esses fatores, segundo representantes do setor produtivo, podem afetar investimentos, contratações e o funcionamento das empresas.
Uma eventual alteração na PEC dependerá de nova deliberação do Congresso caso o texto seja aprovado e promulgado. Por se tratar de uma mudança constitucional, a revisão exigiria o apoio de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.
A proposta está prevista para ser analisada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A aprovação exige pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada turno. A tramitação ocorre em meio à disputa presidencial, com o segundo turno marcado para 25 de outubro.
A mudança de posição de Flávio acontece após meses de críticas à proposta, quando o senador alertava para possíveis efeitos sobre o emprego e os custos empresariais. Agora, ele tenta conciliar o apoio ao fim da escala 6x1 com as preocupações do setor produtivo sobre a aplicação das novas regras.




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