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Festival Moto Brasil terminou, mas estas obras de arte sobre rodas merecem continuar em evidência

De uma Harley-Davidson avaliada em R$ 350 mil a motocicletas que atravessam gerações, Bike & Art reuniu criações surpreendentes, histórias de família e talentos da customização brasileira


Festival Moto Brasil terminou, mas estas obras de arte sobre rodas merecem continuar em evidência Foto: Divulgação

Outra obra que surpreendeu foi a Divine Chopper, de Danilo Bona, da Wolf Motorcycles, em parceria com a Lucky Friends. Originalmente uma Harley-Davidson FX 1450, de 2002, a motocicleta explora a dualidade entre o céu e o inferno. Sob iluminação convencional, apresenta imagens religiosas; com luz negra, revela elementos sombrios ocultos na pintura.

A transformação exigiu dez meses de trabalho, sendo três dedicados à pintura, com aproximadamente cinco litros de verniz. O banco em veludo vermelho remete ao trono papal, enquanto uma imagem de Jesus Cristo sob o tanque exige que o observador se ajoelhe para contemplá-la. “Nada está ali por acaso”, resumiu Danilo ao explicar a concepção da motocicleta.

De 1951 a 2025: gerações da cultura custom

Uma coincidência chamou a atenção entre as clássicas: duas Harley-Davidson Panhead de 1951, semelhantes à primeira vista, mas com customizações distintas. Uma delas, da Dobrucki Custom, de Célio Dobrucki, de Curitiba (PR), exibiu pintura preta com grafismos flames em amarelo, laranja e vermelho. Célio, que já participou de outras edições do Bike & Art, retornou ao Festival com mais uma criação de sua oficina. A outra Panhead foi apresentada pela Lucky Friends, também valorizando a estética das motocicletas clássicas.

Outro destaque foi a Honda CB 750 Chopper de 1973, de Danilo Sacramento, com customização creditada a Recar. A motocicleta carrega uma história de família: transformada em chopper por seu pai, Edison Sacramento, na década de 1970, foi restaurada quase cinco décadas depois. O processo deu origem à série documental Legado sobre Rodas, com oito episódios sobre a recuperação da máquina e a preservação da memória familiar.

A exposição também reuniu uma Harley-Davidson Sportster de 1972, customizada pela Tarcino Kustoms para Rodrigo; uma Breakout de 2022, de Pôneis, e uma Royal Enfield Super Meteor de 2025, de Leandro, ambas assinadas por Jackson, da Jack Customs.

A Volcano Project, de André, apresentou uma Harley-Davidson Softail Slim de 2018, de Rodrigo Silvano. Já a Garage 68, de Vitão, também esteve representada por uma Ultra Classic de 2012, de Cláudio; uma Heritage de 2016, de Léo; e uma Harley-Davidson FX de 2006, de Pablo.

Cada uma dessas criações contribuiu para um panorama da customização brasileira, reunindo diferentes técnicas, estilos e interpretações da paixão pelas duas rodas.

Do Fusca Davidson à música: um espaço de experiências

O Fusca Davidson, de 1963, também voltou a conquistar os visitantes. Customizado pela Garage 68, o automóvel chamou a atenção pela pintura em tons de verde, que, na edição de 2025, formou um conjunto visual com uma Harley-Davidson Shovelhead de 1971. Neste ano, o Fusca retornou sozinho, mostrando que a cultura custom ultrapassa o universo das motocicletas.

No sábado (17), uma DJ levou música ao Bike & Art, acrescentando ritmo ao ambiente que reuniu visitantes, customizadores e apaixonados por máquinas exclusivas. Entre fotografias, conversas e a descoberta de detalhes, a exposição foi também um espaço de convivência e troca de experiências.

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