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Celular e redes sociais mudam a forma de educar adolescentes

Hiperconexão, comparações e excesso de telas criam novos desafios para pais, filhos e educadores, que buscam fortalecer o diálogo e os vínculos presenciais


Celular e redes sociais mudam a forma de educar adolescentes Foto: Reprodução/TV Globo

A adolescência sempre foi uma fase marcada por mudanças, descobertas e conflitos. Mas, para a geração atual, esse período ganhou um novo elemento que está presente praticamente o tempo todo: o celular. A presença constante das telas e das redes sociais transformou a maneira como adolescentes se relacionam com os amigos, com a família e até com a própria imagem.

Especialistas ouvidos pela série “Essa Tal de Adolescência” destacam que a pandemia também contribuiu para aprofundar essa realidade. Muitos jovens passaram justamente por uma etapa importante de desenvolvimento social em isolamento, substituindo encontros presenciais por conversas e relações mediadas por computadores e celulares.

Em Recife, um projeto social tenta criar um contraponto a essa rotina. Durante as atividades, os adolescentes ficam longe dos celulares e são estimulados a conviver presencialmente. Para Jemerson, de 12 anos, a experiência ajudou a vencer a timidez e criar novos vínculos. A proposta mostra como momentos simples de convivência podem fazer diferença em uma geração acostumada a estar permanentemente conectada.

Dentro de casa, porém, a relação com o celular pode ser ainda mais complicada. Para algumas famílias, manter os filhos conectados também representa uma forma de segurança. O problema aparece quando o aparelho passa a ocupar praticamente todos os momentos do dia. Há adolescentes que acordam, fazem as refeições e vão dormir com o celular por perto, chegando a passar várias horas diante da tela.

As redes sociais também aumentaram a pressão por aceitação. Durante a adolescência, período em que a opinião dos outros costuma ganhar grande importância, a comparação deixou de acontecer apenas na escola ou entre amigos próximos. Agora, os jovens são expostos diariamente a imagens, padrões de beleza e estilos de vida apresentados nas redes sociais.

Entre meninas, essa cobrança pode afetar diretamente a autoestima. Filtros, maquiagem e imagens cuidadosamente produzidas podem criar uma percepção distorcida da própria aparência e aumentar a sensação de que é preciso se encaixar em determinados padrões para ser aceito.

Outro desafio aparece dentro de casa. A tecnologia pode aproximar pessoas que estão distantes, mas também pode criar barreiras entre pais e filhos que vivem sob o mesmo teto. Estudantes de uma escola do Rio de Janeiro transformaram essa realidade em um curta-metragem sobre uma mãe e sua filha adolescente. Segundo as jovens que produziram o filme, a dificuldade de conversar com os pais é uma experiência cada vez mais comum em meio à rotina dominada pelas telas.

Para especialistas, enfrentar esses desafios não significa simplesmente retirar o celular dos adolescentes. O caminho passa também pela construção de limites, pela presença dos adultos e, principalmente, pela disposição para ouvir. Em uma fase marcada por inseguranças e pela busca por identidade, o diálogo pode ser uma ferramenta fundamental.

Em meio a celulares, redes sociais, algoritmos e comparações constantes, pais e filhos precisam encontrar novas formas de convivência. Mais do que controlar o tempo diante das telas, especialistas defendem que é importante preservar espaços para conversa, afeto e relações presenciais.

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