Mais eleitores nas urnas, menos votos brancos e nulos e virada em 211 cidades: os fatores que levaram Lula à vitória histórica
Lula venceu em 211 municípios onde Flávio Bolsonaro havia ficado à frente no primeiro turno
Foto: Rafael Peixoto/g1 O aumento do comparecimento às urnas, a redução dos votos brancos e nulos e a mudança no resultado em 211 municípios estão entre os fatores que marcaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 59.826.041. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
No primeiro turno, o petista estava 2,2 milhões de votos atrás do adversário. No segundo, conseguiu reverter o resultado e terminou com uma vantagem de 4,4 milhões, uma mudança de cerca de 6,6 milhões de votos na diferença entre os dois candidatos.

Mais eleitores compareceram às urnas
A participação dos eleitores foi um dos fatores que contribuíram para a mudança no resultado. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, o menor índice em 20 anos, segundo o levantamento. Com isso, aproximadamente 2,83 milhões de eleitores a mais compareceram à votação.
O número de votantes aumentou em 4.858 municípios, o equivalente a 87% das cidades brasileiras. A alta foi registrada principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de áreas do litoral nordestino.
Queda nos votos brancos e nulos
Outro fator foi a redução dos votos brancos e nulos, que passaram de 5,98 milhões no primeiro turno para 4,15 milhões no segundo, uma diminuição de aproximadamente 1,83 milhão.
Somados, o aumento do comparecimento e a redução dos votos brancos e nulos acrescentaram cerca de 4,66 milhões de votos válidos à disputa, ampliando o total de votos destinados aos dois candidatos.
Lula cresceu mais de 10 milhões de votos
Entre os dois turnos, Lula recebeu aproximadamente 10,3 milhões de votos a mais. Flávio Bolsonaro, por sua vez, ampliou sua votação em cerca de 3,7 milhões.
O crescimento do petista superou a soma dos votos recebidos pelos demais candidatos derrotados no primeiro turno, que tiveram juntos cerca de 9,3 milhões de votos. Lula também aumentou sua votação em todos os estados e no Distrito Federal.
Os maiores avanços em números absolutos ocorreram em São Paulo, onde o presidente recebeu 2,6 milhões de votos a mais, seguido por Minas Gerais, com cerca de 1,16 milhão, e pelo Rio de Janeiro, com aproximadamente 872 mil.
Virada em 211 municípios
A mudança no mapa eleitoral também teve peso no resultado. Lula venceu em 211 municípios onde Flávio Bolsonaro havia ficado à frente no primeiro turno. A lista inclui a cidade do Rio de Janeiro.
Minas Gerais registrou o maior número de municípios com inversão do resultado, com 76 cidades. São Paulo aparece em seguida, com 32, seguido pelo Paraná, com 20, e pelo Rio Grande do Sul, com 19. Ao todo, houve viradas em municípios de 18 estados.
Além disso, Lula melhorou seu saldo de votos em relação ao adversário em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros, cerca de 97% do total.
Maior votação da história
Com 64,2 milhões de votos, Lula alcançou a maior votação já registrada por um candidato à Presidência da República no Brasil. O resultado superou o recorde anterior do próprio petista, que havia recebido cerca de 60,3 milhões de votos em 2022.
A diferença entre os candidatos também aumentou em relação à eleição anterior. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por aproximadamente 2,1 milhões de votos. Em 2026, a vantagem sobre Flávio Bolsonaro chegou a cerca de 4,4 milhões.
Os dados mostram que a vitória foi marcada por uma combinação de maior participação eleitoral, redução de votos brancos e nulos, ampliação da votação de Lula em todo o país e mudanças no resultado de centenas de municípios.




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