Douglas Silva
Rondônia reafirma perfil à direita e chega às urnas como um dos principais territórios conservadores do país
Histórico eleitoral, força de Flávio Bolsonaro e desempenho de candidaturas ligadas à direita ajudam a desenhar o perfil político do estado nas eleições de 2026
Rondônia chega às urnas neste domingo, 4 de outubro, carregando uma característica que vem se tornando cada vez mais evidente em seus últimos ciclos eleitorais: a força da direita e, particularmente, do eleitorado identificado com o bolsonarismo.
Mais do que uma percepção construída durante a campanha de 2026, esse comportamento encontra respaldo nos resultados das eleições anteriores e nas pesquisas realizadas ao longo deste ano. O conjunto dos números coloca Rondônia entre os estados onde o campo político associado à direita apresenta forte presença eleitoral.
O retrato mais contundente vem de 2022. No segundo turno da eleição presidencial daquele ano, Jair Bolsonaro (PL) recebeu 70,66% dos votos válidos em Rondônia, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 29,34%. Bolsonaro conquistou 633.236 votos no estado.
Há ainda uma particularidade histórica naquele resultado: Rondônia foi o único estado brasileiro em que Bolsonaro venceu Lula em todos os municípios no segundo turno de 2022.
2026 mostra continuidade dessa identidade eleitoral
Quatro anos depois, pesquisas realizadas durante a campanha de 2026 apresentaram sinais de permanência desse perfil.
Um levantamento Quaest realizado em agosto perguntou aos eleitores rondonienses qual alinhamento desejavam para o próximo governador. 43% afirmaram preferir um governador aliado de Flávio Bolsonaro, 30% disseram desejar um governador independente e 23% preferiam alguém aliado a Lula.
Na mesma pesquisa, 36% disseram que o apoio de Flávio Bolsonaro aumentaria a possibilidade de votar em determinado candidato, enquanto 19% disseram que esse apoio reduziria a chance de voto. Quando o nome apresentado era o de Lula, a relação se invertia: 18% disseram que seu apoio aumentaria a possibilidade de voto e 43% afirmaram que diminuiria. A Quaest ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.
Os números não significam que todo o eleitorado rondoniense seja de direita — nenhuma sociedade eleitoralmente plural pode ser resumida dessa maneira. Eles mostram, porém, que o alinhamento com o campo bolsonarista possui peso relevante no comportamento político do estado.
Marcos Rogério chega ao dia da eleição na dianteira das pesquisas
A disputa pelo Palácio Rio Madeira também acrescenta um elemento importante a esse cenário.
Marcos Rogério, candidato do PL e nome diretamente associado ao campo bolsonarista, encabeça a coligação Juntos por Rondônia, formada na convenção estadual por PL, Podemos, Mobiliza e Novo. O mesmo bloco lançou candidaturas ao Senado vinculadas ao PL.
Na última pesquisa Quaest divulgada antes da abertura das urnas, Marcos Rogério chegou a 53% dos votos válidos, contra 24% de Adailton Fúria (PSD), 15% de Hildon Chaves (União Brasil) e 7% de Expedito Netto (PT).
O levantamento ouviu 1.800 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número RO-09325/2026.
Os números são uma pesquisa, e não o resultado das urnas. Mas ajudam a revelar como as forças políticas chegam posicionadas ao momento decisivo da eleição.
A direita vai além do PL
Há outro aspecto importante para compreender Rondônia em 2026: a presença de um eleitorado conservador não necessariamente significa voto exclusivamente em candidatos do PL.
A própria disputa pelo governo reúne candidaturas de PSD e União Brasil, partidos que nacionalmente possuem composições amplas e diferentes alianças regionais. Rondônia tem seis candidatos ao governo nesta eleição: Adailton Fúria, Expedito Netto, Hildon Chaves, Marcos Rogério, Pedro Abib e Samuel Costa.
Isso significa que parte do eleitorado pode escolher Flávio Bolsonaro para presidente e, simultaneamente, optar por um candidato de outra legenda para o governo estadual.
Por essa razão, a votação deste domingo permitirá medir não apenas a força partidária do PL, mas também o tamanho efetivo do eleitorado que se identifica com a direita e como esse voto se distribui entre diferentes candidaturas estaduais.
De Jair a Flávio: a transferência de apoio entra em teste
Se em 2022 Rondônia entregou a Jair Bolsonaro mais de 70% dos votos válidos no segundo turno, 2026 apresenta uma pergunta política diferente: quanto dessa força eleitoral permanece com Flávio Bolsonaro?
A resposta começará a aparecer quando as urnas forem abertas.
Mais do que observar apenas quem vence no estado, será possível comparar a votação presidencial com as disputas para governador, Senado e Câmara e verificar até que ponto existe uma identidade política transversal no eleitorado rondoniense.
Rondônia possui 1.267.105 eleitores aptos a votar em 2026.
Em um Brasil novamente marcado pela polarização presidencial — pesquisas nacionais da véspera mostram Lula e Flávio Bolsonaro separados por margens pequenas — Rondônia entra no mapa eleitoral como um laboratório particularmente interessante para observar o comportamento do eleitor conservador.
Os resultados das urnas dirão se os indicadores registrados durante a campanha serão confirmados.
Mas o histórico de 2022, a preferência por alinhamento político medida pelas pesquisas e a configuração da eleição estadual de 2026 já permitem afirmar que a direita ocupa um espaço central na atual identidade eleitoral de Rondônia — ainda que o estado, como qualquer outro, permaneça politicamente plural.




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