BC mantém tom cauteloso e reforça necessidade de juros restritivos
Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira (22), não indica o próximo movimento da Selic e destaca riscos fiscais e inflacionários
Marcello Casal JrAgência Brasil O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou que a inflação continua pressionada pela demanda e reforçou a necessidade de manter a política monetária em nível restritivo. A ata da última reunião do colegiado foi divulgada na manhã desta terça-feira (22), após a decisão de reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano.
No documento, o Copom evitou antecipar qual será o próximo movimento dos juros e afirmou que a intensidade do ciclo de ajustes será definida de acordo com a evolução do cenário econômico. Segundo o comitê, o ambiente atual apresenta um nível de incerteza historicamente elevado, além de riscos predominantemente relacionados à alta dos preços.
O Banco Central também destacou preocupações relacionadas à política fiscal. Para o Copom, o enfraquecimento dos esforços de reformas estruturais e de disciplina fiscal, o crescimento do crédito direcionado e as dúvidas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia.
Essa taxa serve como referência para avaliar o nível de juros considerado compatível com uma economia em equilíbrio. Quanto maior a taxa neutra, maior tende a ser a necessidade de juros para conter pressões inflacionárias.
A ata também aponta que choques de oferta têm influenciado a inflação e afirma que o Banco Central deve acompanhar possíveis efeitos secundários desses movimentos. Caso esses efeitos se concretizem, o colegiado diz que poderá reagir de forma firme.
No cenário doméstico, o Copom destacou uma desaceleração gradual da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores.
No exterior, o Banco Central voltou a mencionar os efeitos da continuidade dos conflitos no Oriente Médio sobre a volatilidade dos preços de ativos e de commodities, cenário que exige cautela dos países emergentes.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. No cenário de referência, a projeção do Copom para a inflação no primeiro trimestre de 2028 está em 3,2%, período considerado atualmente como horizonte relevante para a política monetária.





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