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O amor negro e o forró pé de serra no centro da tela: Ícaro Cruz apresenta primeiro capítulo de sua narrativa afetiva com seu novo lançamento

Ao lançar “Galã de Holiúde”, compositor baiano radicado em Brasília dá início a projeto que revisita o imaginário romântico a partir da experiência de um homem negro e nordestino


O amor negro e o forró pé de serra no centro da tela: Ícaro Cruz apresenta primeiro capítulo de sua narrativa afetiva com seu novo lançamento Foto: Divulgação

O que acontece quando o homem negro nordestino percebe que não foi convidado para protagonizar a história de amor que aprendeu a reconhecer nas telas? É a partir dessa inquietação que o compositor, intérprete e guitarrista baiano Ícaro Cruz constrói seu novo ciclo autoral. Com o recém lançamento de “Galã de Holiúde”, o artista se prepara para apresentar, no fim de outubro, uma segunda faixa que se conecta à primeira pela mesma narrativa afetiva. Em “Galã de Holiúde”, primeiro capítulo desse percurso, Ícaro parte de uma experiência pessoal para questionar os modelos de romance construídos pelo cinema, pela televisão e pela cultura pop.

A música nasceu depois de uma desilusão amorosa, quando o artista assistiu a um filme indicado como favorito pela moça por quem estava interessado. Diante daquele ideal de parceiro romântico, percebeu que havia uma distância entre o personagem celebrado na tela e a própria experiência de ser um homem negro e nordestino. “Mas eu invisível não tinha lugar naquela história inventada”, canta Ícaro em um dos versos da faixa, sintetizando a sensação que dá origem à composição.

A resposta artística veio pelo baião. O arranjo mantém a formação orgânica do forró pé de serra e incorpora o timbal, criando um diálogo entre a tradição nordestina e matrizes afro-brasileiras. A produção reúne acordeon, zabumba, violões, viola, baixo, percussão, teclados e vocais, com participação de músicos como Gregoree Júnior, Gustavo Luchetta, Gleice Souza, Deniel Moraes, Marcos China, Rodrigo Rocha e Samara Ribeiro Tokunaga.

A escolha musical acompanha a própria construção narrativa do projeto. Radicado em Brasília desde 2016, Ícaro se aproximou do forró a partir da experiência nos salões de dança, ao mesmo tempo em que a distância de Salvador passou a atravessar sua escrita. A música tornou-se espaço para falar de desejo, pertencimento, masculinidade e das referências culturais que moldaram sua forma de enxergar o amor. A pesquisa também se estende para além da música.

A construção visual do projeto conta com consultoria de dança de Sarah Barreto e Rafa Scartezini, fotografia do ensaio realizada pelo próprio Ícaro e criação da capa assinada pelo artista. A preparação e os arranjos vocais são de Joana Duah, com mentoria de composição de Murillo Altafine e edição de áudio por Rafael Borges.

A distribuição digital é realizada pela ONErpm. O novo ciclo dá continuidade à trajetória de Ícaro, que começou a compor em 2004, na banda de punk rock Efeito Joule, onde atuava como guitarrista. Em 2014, integrou a banda de indie rock Circo Litoral, participando de uma circulação por Salvador e pelo interior da Bahia, dividindo palco com O Terno e com a banda Scambo, de Pedro Pondé, além de participar de uma apresentação ao vivo na TVE Bahia.

Em 2024, lançou “O Bêbo e o Vagabundo”, consolidando sua passagem para o trabalho solo e para o forró pé de serra. As seis canções funcionam como capítulos de uma mesma história. Se “Galã de Holiúde” parte da descoberta de não se enxergar no romance idealizado, os próximos lançamentos ampliam esse olhar e apresentam outras experiências de afeto a partir de uma perspectiva negra, nordestina e atravessada pelo forró.

Sobre Ícaro Cruz

Ícaro Cruz é compositor, intérprete e guitarrista baiano radicado em Brasília. Com trajetória iniciada nas bandas Efeito Joule e Circo Litoral, passou a construir seu trabalho solo aproximando o forró pé de serra, o baião e a MPB de questões relacionadas ao afeto, identidade e pertencimento. Em 2026, iniciou um ciclo de singles conectados por uma narrativa afetiva, tendo “Galã de Holiúde” como primeiro lançamento.

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