Lula diz que Brasil não é 'quintal de ninguém' durante discurso na ONU
Lula defendeu uma maior integração entre os países da região e afirmou que diferenças ideológicas
UN Photo/Loey Felipe O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. A declaração foi feita em meio às críticas do governo brasileiro a ações e operações dos Estados Unidos na América Latina.
Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 1955. Após Lula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também fará seu pronunciamento.
Ao abordar a situação na América Latina, Lula defendeu uma maior integração entre os países da região e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a cooperação entre os vizinhos.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, declarou.
O presidente também defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e na interrupção do fluxo de armas e recursos financeiros utilizados por grupos criminosos.
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, afirmou Lula.
Durante o discurso, o presidente brasileiro também criticou o que classificou como interferência externa em processos eleitorais. Segundo ele, a divisão do mundo em zonas de influência e as disputas por recursos estratégicos representam práticas que considera ultrapassadas.
Lula ainda mencionou a situação política de países da América Latina. Sobre a Venezuela, afirmou que os venezuelanos devem ter o direito de definir o próprio destino. Em relação à Nicarágua, disse que o país não solucionará seus problemas impedindo a oposição de participar das eleições.
O presidente também criticou o embargo econômico imposto a Cuba, classificando a medida como ilegal.
O discurso ocorreu antes da participação de Donald Trump na Assembleia Geral, em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos.





COMENTÁRIOS