Publicidade

Brasil bate recorde de trabalhadores empregados, mas inadimplência também atinge maior nível da história

País chega a 103,5 milhões de pessoas ocupadas e desemprego cai para 5,3%, enquanto atrasos nas operações de crédito avançam para 5%


Brasil bate recorde de trabalhadores empregados, mas inadimplência também atinge maior nível da história Foto: Reprodução / x

O Brasil chegou a um número recorde de pessoas trabalhando, mas o bom momento do mercado de trabalho convive com um problema crescente no orçamento das famílias. Enquanto 103,5 milhões de brasileiros estão ocupados e o desemprego permanece próximo das mínimas históricas, a inadimplência nas operações de crédito alcançou 5% em agosto, maior patamar da série histórica do Banco Central.

Os números divulgados nesta terça-feira (29) revelam duas faces do atual cenário econômico. De um lado, o mercado de trabalho continua apresentando resultados positivos. De outro, juros elevados e crédito mais caro pressionam famílias e empresas e aumentam a dificuldade para manter as contas em dia.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto. O percentual representa queda de 0,3 ponto percentual tanto em relação ao trimestre encerrado em maio quanto na comparação com o mesmo período de 2025, quando a taxa estava em 5,6%.

A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, o maior contingente registrado pela pesquisa. Houve crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior, o equivalente à entrada de aproximadamente 774 mil pessoas no grupo dos ocupados. Em um ano, o avanço foi de cerca de 1,1 milhão de trabalhadores.

O país também registrou 5,8 milhões de pessoas desocupadas. Entre aqueles que estão trabalhando, 39,5 milhões possuem carteira assinada, sem considerar os trabalhadores domésticos. Outros 13,7 milhões trabalham sem carteira e 26,1 milhões atuam por conta própria.

Apesar do recorde de ocupação, os números indicam que a geração de postos de trabalho começa a ficar mais concentrada. O crescimento recente foi puxado principalmente pela construção e pela indústria. A construção apresentou avanço de 4,1%, com aproximadamente 306 mil trabalhadores a mais, enquanto a indústria cresceu 2%, incorporando cerca de 265 mil pessoas.

O cenário do crédito segue na direção oposta. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência média das operações de crédito chegou a 5% em agosto, contra 4,9% em julho. O percentual é o maior da série histórica revisada, iniciada em março de 2011. Para o BC, são consideradas inadimplentes as operações que possuem parcelas com atraso superior a 90 dias.

A situação é ainda mais significativa entre as pessoas físicas. A inadimplência desse grupo passou de 5,8% em julho para 6% em agosto. Entre as empresas, o percentual permaneceu em 3,3%, patamar que não era observado desde 2017.

O contraste mostra que ter mais brasileiros trabalhando não significa necessariamente maior folga no orçamento. O longo período de juros elevados encareceu financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito, aumentando o peso das parcelas sobre a renda das famílias. O próprio Banco Central já vinha apontando inadimplência em patamares historicamente elevados ao longo de 2026.

Ao mesmo tempo, economistas começam a identificar sinais de perda de força da atividade econômica. O mercado de trabalho costuma reagir com algum atraso às mudanças na economia. Assim, uma desaceleração pode aparecer primeiro na redução do ritmo de novas contratações antes de provocar aumento mais significativo do desemprego.

Outro dado que ajuda a completar o cenário são as contas públicas. O Governo Central registrou déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto. Apesar do resultado negativo, houve melhora em comparação com agosto de 2025, quando o déficit, corrigido pela inflação, ficou em R$ 16,2 bilhões. Foi ainda o melhor resultado para agosto desde 2021.

A combinação de desaceleração econômica, mercado de trabalho ainda aquecido e pressão crescente sobre o crédito também entra no radar do Banco Central para as próximas decisões sobre os juros. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo.

O desafio está em equilibrar os sinais da economia. Uma redução mais rápida dos juros poderia aliviar o custo do crédito e estimular a atividade, mas o Banco Central continua acompanhando o comportamento da inflação antes de definir os próximos passos.

Os indicadores de agosto, portanto, mostram um cenário incomum: nunca houve tanta gente ocupada no país, mas também nunca a inadimplência medida pela atual série do Banco Central esteve tão elevada. O emprego continua sendo um dos principais pontos de sustentação da economia, enquanto o avanço das dívidas em atraso revela que uma parcela crescente dos brasileiros ainda enfrenta dificuldades para transformar trabalho e renda em equilíbrio financeiro.

Publicidade



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR