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AGU pede 72 horas ao STF para se manifestar sobre ações contra proibição das bets

Prazo solicitado busca ouvir órgãos envolvidos na regulamentação do setor antes de manifestação do governo sobre os pedidos de retomada das apostas online


AGU pede 72 horas ao STF para se manifestar sobre ações contra proibição das bets Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um prazo de 72 horas para apresentar manifestação nas ações que questionam a medida provisória que proibiu o funcionamento e a publicidade das bets no Brasil. Segundo a AGU, o período é necessário para que os órgãos governamentais envolvidos na regulamentação do setor sejam consultados.

As ações foram apresentadas pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que pedem a suspensão da medida provisória editada pelo governo federal. Os processos estão sob relatoria do ministro Luiz Fux, que também já determinou medidas relacionadas à restrição de apostas por beneficiários de programas sociais.

As entidades argumentam que a medida provisória alterou de forma abrupta as regras estabelecidas para o setor e questionam a existência de urgência que justificasse a utilização desse instrumento. As associações também afirmam que não teriam sido apresentados estudos técnicos suficientes para demonstrar os impactos econômicos, fiscais, regulatórios e sociais de uma eventual proibição das apostas online.

Segundo a petição apresentada ao STF, as entidades haviam solicitado ao Ministério da Fazenda, em 20 de setembro, informações sobre estudos que poderiam embasar uma eventual proibição. De acordo com as associações, a resposta recebida em 24 de setembro informou que não foram identificados estudos, notas técnicas, pareceres ou relatórios especificamente destinados a avaliar os efeitos da proibição.

Outro ponto questionado é a situação das empresas que receberam autorização para operar no país. As bets pagavam R$ 30 milhões ao governo federal por uma licença com duração de cinco anos. As associações afirmam que a mudança das regras pode gerar insegurança jurídica e questionam o destino dos valores pagos pelas empresas.

A ANJL e o IBJR também apresentaram dados sobre o volume de apostas. Segundo os números citados pelas entidades, os aportes realizados no primeiro semestre de 2026 somaram R$ 88,48 bilhões, uma queda de 12,4% em relação aos R$ 100,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o número de apostas teria aumentado 9,5%, passando de 2,46 bilhões para 2,69 bilhões.

Com base nesses dados, as associações afirmam que o valor médio por aposta teria caído de aproximadamente R$ 41,04 para R$ 32,83 no período, uma redução próxima de 20%. Para as entidades, os números não indicariam um crescimento extraordinário que justificasse a adoção imediata da proibição.

Enquanto o STF analisa os pedidos, a medida provisória segue em discussão no Congresso Nacional. A norma precisa ser apreciada pelos parlamentares dentro do prazo constitucional para manter sua validade.

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