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Lívia Ikeda Martins

Proposta pedagógica inovadora usa método para recomposição das aprendizagens na alfabetização

Projeto de especialista une método fônico e pedagogia histórico-crítica para recompor aprendizagens na alfabetização pós-pandemia, fortalecendo a formação docente e garantindo o direito à leitura e escrita na escola pública

Créditos: arquivo pessoal
Proposta pedagógica inovadora usa método para recomposição das aprendizagens na alfabetização Pesquisadora e pedagoga, Jaqueline de Carvalho Silveira Silva

A alfabetização de crianças da rede pública brasileira enfrenta desafios históricos, agravados pelo período pós-pandemia. Em resposta a esse cenário, surge o projeto de pesquisa “Método Fônico e Pedagogia Histórico-Crítica: uma proposta de formação e intervenção na alfabetização”, da especialista em Letramento e em Educação Infantil e pedagoga Jaqueline de Carvalho Silveira Silva, que busca investigar as contribuições do método fônico como estratégia de recomposição das aprendizagens, articulando-o aos princípios da pedagogia histórico-crítica e à formação docente continuada.

A iniciativa nasceu da experiência da pesquisadora como professora da rede municipal, diante da recorrente dificuldade de alfabetizar alunos que chegam ao 5º ano sem pleno domínio da leitura e da escrita. A pesquisa, de abordagem qualitativa e natureza pesquisa-ação, envolverá professores alfabetizadores das redes municipais de Cabrália Paulista e Duartina (SP), promovendo formações teórico-práticas e acompanhando à aplicação do método em sala de aula.

O produto educacional resultante será composto por um Guia de Formação Docente e um Caderno de Atividades Fônicas, elaborados de forma colaborativa com os professores participantes.

Contexto e relevância

A defasagem na alfabetização tornou-se um dos maiores desafios da educação pública brasileira no período pós-pandemia. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), cerca de 40% das crianças apresentaram dificuldades significativas em leitura e escrita, evidenciando um impacto direto na garantia do direito à aprendizagem. Esse cenário não se restringe apenas ao desempenho escolar: relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) apontam que a crise sanitária intensificou problemas de saúde mental infantil e juvenil, ampliando desigualdades educacionais e sociais já existentes.

Além disso, estudos recentes (Ferreira et al., 2021 e Daminger, 2019) revelam que professoras e mulheres são desproporcionalmente afetadas pela sobrecarga cognitiva e emocional, acumulando responsabilidades domésticas e profissionais. Essa realidade reforça a urgência de investimentos em formação docente continuada, não apenas como estratégia pedagógica, mas também como suporte à saúde mental e valorização da carreira.

Declaração da especialista

A autora do estudo, afirma: “O método fônico, articulado à pedagogia histórico-crítica, não é apenas uma técnica de alfabetização, mas uma proposta de transformação pedagógica. Nosso objetivo é garantir que cada criança tenha acesso ao direito fundamental de aprender a ler e escrever, fortalecendo também a formação dos professores que enfrentam diariamente os desafios da sala de aula.”

Impacto esperado

O projeto pretende gerar efeitos concretos e duradouros na educação pública. De acordo com a pesquisadora, o aprimoramento das práticas alfabetizadoras nas redes municipais envolvidas será alcançado por meio da aplicação do método fônico aliado à pedagogia histórico-crítica, oferecendo aos professores ferramentas que dialogam com a realidade dos alunos e favorecem avanços consistentes na leitura e escrita.

Silva também afirma que o fortalecimento da formação docente ocorrerá a partir de referenciais teóricos e práticos, garantindo que os educadores não apenas dominem novas metodologias, mas também compreendam seus fundamentos pedagógicos e sociais. Essa formação continuada contribui para reduzir a sobrecarga cognitiva e emocional que recai sobre professoras e professores, conforme apontam estudos recentes sobre desigualdades de gênero e trabalho docente.

Por fim, a proposta da pesquisa busca assegurar a garantia do direito à aprendizagem na escola pública, especialmente para alunos em defasagem escolar, que chegam ao 5º ano sem estarem plenamente alfabetizados. Ao oferecer estratégias inovadoras e suporte pedagógico, o projeto se alinha às metas nacionais de qualidade educacional e responde às demandas urgentes do período pós-pandemia, em que as desigualdades foram ampliadas e a recomposição das aprendizagens tornou-se prioridade.



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