Confraria da Poesia Informal completa 15 anos com lançamento de antologia comemorativa
A Confraria da Poesia Informal, coletivo criado em Petrópolis, celebra seus 15 anos com o lançamento de "Poesia Liberta", no dia 17 de outubro, das 13h às 17h, no Paço Ipiranga, dentro da programação do Ipiranga Mix. A entrada é gratuita.
”Poesia Liberta”, 12º livro do coletivo nascido em Petrópolis (RJ), reúne poetas do Brasil, de Portugal, Angola, Moçambique e Holanda e será lançado no dia 17 de outubro, pela Editora Bem Cultural
Fazia um frio "de doer os ossos" na Praça Dom Pedro II, no Centro Histórico de Petrópolis, lembra Paulo Roberto Cunha, no dia 20 de outubro de 2011, Dia do Poeta. Pouco mais de 30 pessoas, entre poetas, músicos, rappers e curiosos, penduraram versos e fotografias em varais improvisados, sob a supervisão de Beethoven, o cão comunitário de quem o grupo ainda se lembra. Todos vestiam uma camisa amarela, estreada naquela tarde. Paulo Roberto, que até então se definia como "poeta de gaveta", leu "Alvorada de mim". Era o primeiro sarau da Confraria da Poesia Informal.
“Ali vimos que nenhum de nós estava só em sua poesia. Éramos a Confraria”, comenta a poeta Catarina Maul, idealizadora e coordenadora do grupo, que também organizou e editou a nova antologia.
Quinze anos depois, o coletivo soma cerca de 80 integrantes, mais da metade de outras cidades, estados e países, e chega ao 12º livro. "Poesia Liberta – 15 anos" reúne 42 poetas que fazem parte da história da Confraria. O lançamento será no dia 17 de outubro, das 13h às 17h, no Ipiranga Mix, em Petrópolis (RJ).
A obra foi organizada e editada por Catarina Maul, à frente da Editora Bem Cultural. “Percebi que nem toda poesia, nem todo poeta, cabia nos lugares que determinaram para nós. A Confraria foi o sonho de construir uma casa própria para todos. Foi erguida tijolo por tijolo, unindo concreto e afeto”, comenta.
Projeto itinerante
Paulo Roberto chegou a Catarina por um caminho quase paroquial. O padre Jac, então pároco da Catedral São Pedro de Alcântara, insistia que ele precisava conhecer a escritora. O encontro veio num concurso de poesia dedicado a Vinicius de Moraes, e pouco depois ele estava na reunião de fundação da Confraria, no Clube Petropolitano. Nascido em Petrópolis em 1960, ex-contabilista, Paulo vive desde 2014 em São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, onde trabalha na biblioteca municipal e recebeu o título de cidadão honorário.
A Confraria nunca teve sede. Reuniões e saraus sempre circularam pela cidade, e durante um período um dos pontos de encontro foi o Studio S, de Nicolau Abdu, que abriu as portas ao coletivo. “Uma quarta-feira por mês, o Studio S era todo nosso. Recebíamos ali gente de todos os segmentos artísticos de Petrópolis”, lembra Paulo.
Poesia como remédio
Se a informalidade marcou o começo, foi a pandemia que, segundo Catarina, revelou o melhor do grupo. Os saraus migraram para o formato virtual, com transmissão pela TV aberta de Petrópolis e pelo canal da Bem Cultural TV no YouTube, e passaram a incluir os integrantes em grupo de risco. “Passávamos a semana nos preparando para os domingos, e assim a vacina chegou. Comemorávamos cada um de nós que era vacinado. Cuidamos diariamente da nossa família da poesia”, relembra.
O período também consolidou o WhatsApp como ponto de encontro. É lá que nasce o "Segundas com Poesia", projeto idealizado por Catarina em janeiro de 2021 e coordenado desde então pela professora Elciana Goedert, de Curitiba. Toda semana, os poetas enviam poemas curtos, de até dez versos, que Elciana revisa e transforma em cards para as redes sociais. De lá para cá, foram aproximadamente 4.700 publicações.
Um desses cards ela guarda de forma especial. Em 10 de abril de 2024, o médico e poeta Arnaldo Rippel enviou seu poema da semana. Elciana escolheu para ele a imagem de asas. Arnaldo faleceu no dia seguinte, e o card foi ao ar em 15 de abril.
Elciana está no grupo desde 2011, convidada pela poeta petropolitana Luana Lagrecca, e participou de todas as antologias da Confraria desde a primeira, em 2014. Os três poemas que assina no novo livro, "Às margens do mesmo rio", "Bullying: a ferida juvenil" e "Bússola-esperança", nasceram de conversas no grupo. “A poesia é uma expressão muito íntima, mas não precisa ser uma experiência solitária. Quando compartilhamos nossos versos, descobrimos que aquilo que nasceu de uma vivência tão particular pode encontrar eco em alguém a quilômetros de distância. É aí que um grupo como a Confraria deixa de ser apenas um espaço de divulgação e passa a ser um lugar de pertencimento”, comenta.
Quem chega agora
Entre os nomes mais recentes da Confraria está Alexa Figueiredo Ide, poeta trans que assina também como Sentinela Borboleta. Carioca, moradora do Mosela e recém-empossada professora da rede municipal de Petrópolis, ela escreve desde os 8 anos. Chegou à Confraria pelas mãos da poeta Rosane Fernandes e estreou no grupo na antologia "Versos Escarlates", de temática erótica. "Poesia Liberta" é sua terceira antologia. “Descobri com a Catarina que a poesia liberta mesmo”, conta.
A capa, assinada por Erick Maul, também responsável pelo projeto gráfico, traduz a ideia: a palavra "liberdade" aparece escrita em vários idiomas.
Em 2025, a Confraria foi reconhecida como Ponto de Cultura, e Catarina ainda se surpreende com o caminho percorrido. “Quando escrevemos uma história real, no cotidiano, nunca sabemos quantos capítulos ela terá. Esses 15 anos voaram, e me pego perplexa vendo como foi tudo intenso e rápido. Acho que chegamos aqui porque nossos interesses sempre foram coletivos. Foi o que fez dar certo”, comenta.
Para Paulo, que no livro publica "Ipê amarelo", "Meu nome" e "Cicatriz", pouca coisa mudou desde aquela tarde fria na Praça Dom Pedro. “O que mudou foi o mundo. A Confraria é a mesma clínica de loucos pela poesia até hoje”, conta.
Serviço - Lançamento de "Poesia Liberta - 15 anos", da Confraria da Poesia Informal (Editora Bem Cultural)
Data: sábado, 17 de outubro
Horário: das 13h às 17h
Local: Ipiranga Mix (Paço Ipiranga, 494 - Petrópolis/RJ)
Entrada gratuita
Mais informações: @bemculturaleditora
Contato para imprensa: (24) 99268-0022 (Aghata Paredes)





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