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Avião decola próximo ao fim da pista de Congonhas e caso será investigado

Aeronave com destino a Belo Horizonte percorreu quase toda a extensão da pista e passou em baixa altitude sobre sistema de segurança instalado no aeroporto


Avião decola próximo ao fim da pista de Congonhas e caso será investigado Foto: Reprodução/ Redes sociais

A companhia aérea Azul abriu uma investigação interna para apurar as circunstâncias da decolagem de um avião Embraer E195-E2 que percorreu quase toda a extensão da pista do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, antes de levantar voo. O episódio ocorreu na tarde de domingo (11), durante a operação do voo AD4797, com destino a Belo Horizonte (MG).

Imagens que circularam nas redes sociais mostram a aeronave deixando o solo próximo ao fim da pista e passando em baixa altitude sobre o sistema EMAS, uma estrutura de segurança instalada na extremidade da área de pouso e decolagem. A manobra chamou a atenção pela proximidade com o limite da pista.

Em nota, a Azul informou que abriu uma investigação interna para esclarecer o ocorrido. A companhia ressaltou que suas operações seguem os padrões nacionais e internacionais de segurança, classificados pela empresa como seu valor primordial. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre as possíveis causas da decolagem nem um prazo para a conclusão da apuração.

Decolagem próxima ao fim da pista exige análise

A utilização de toda a extensão disponível da pista é permitida, desde que a operação respeite os limites de segurança e os cálculos de desempenho da aeronave. No entanto, uma decolagem em que o avião deixa o solo próximo ao final da pista é considerada atípica e pode exigir uma análise das circunstâncias envolvidas.

Entre os fatores que influenciam o desempenho durante a decolagem estão o peso da aeronave, a quantidade de combustível, as condições meteorológicas, a temperatura, a direção e a intensidade do vento, além da altitude do aeroporto e das características da pista.

Os cálculos operacionais são realizados antes de cada voo para determinar as condições necessárias à decolagem segura. Por isso, as imagens divulgadas, isoladamente, não permitem concluir se houve falha mecânica, erro operacional ou descumprimento dos procedimentos de segurança.

Como funciona o sistema EMAS?

O Aeroporto de Congonhas conta com o sistema EMAS, sigla em inglês para "Engineered Materials Arresting System", uma tecnologia desenvolvida para ajudar a conter aeronaves que ultrapassem os limites da pista.

Instalado no fim da área de pouso e decolagem, o sistema funciona como uma área de escape. Sua estrutura é formada por blocos de materiais projetados para se deformar sob o peso das rodas da aeronave, absorvendo energia e contribuindo para a desaceleração em situações de emergência.

A tecnologia é especialmente importante em aeroportos onde não há espaço suficiente para a instalação de uma área de escape convencional. Em Congonhas, a estrutura foi implantada para ampliar a segurança das operações.

Caso semelhante foi registrado em 2024

Em maio de 2024, outra aeronave da Azul decolou próximo ao fim da pista de Congonhas. Na ocasião, o caso foi classificado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) como incidente.

Na aviação, essa classificação abrange ocorrências que afetam ou podem afetar a segurança da operação, mesmo quando não há consequências graves.

Especialistas ouvidos na época destacaram que uma decolagem próxima ao limite da pista pode ser considerada atípica, mas isso não significa, necessariamente, que o procedimento tenha sido incorreto. A avaliação depende da análise dos fatores operacionais envolvidos.

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