Creatina pode aumentar massa muscular mesmo sem exercícios, aponta estudo
Pesquisa acompanhou adultos de 45 a 65 anos e encontrou ganho de massa magra entre sedentários que utilizaram o suplemento, mas especialistas alertam que a creatina não substitui a atividade física
Foto: AFP A creatina, um dos suplementos mais conhecidos entre quem busca ganhar massa muscular e melhorar o desempenho físico, pode apresentar efeitos mesmo em pessoas que não praticam exercícios. É o que aponta um estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition, que acompanhou adultos de 45 a 65 anos durante 12 semanas.
A pesquisa reuniu 64 participantes saudáveis, divididos entre pessoas que seguiram um programa de exercícios e dieta e outras que não realizaram atividades físicas. Todos receberam diariamente 10 gramas de creatina monohidratada ou placebo.
Entre os participantes sedentários que utilizaram creatina, os pesquisadores observaram um ganho médio de aproximadamente 1,1 quilo de massa magra ao longo das 12 semanas. Também foram registradas melhorias na força em exercícios como leg press e supino.
Os resultados foram ainda mais expressivos entre aqueles que combinaram a suplementação com exercícios. O grupo que treinou três vezes por semana ganhou cerca de 1,35 quilo de massa magra, aumentou a força e a resistência muscular e ainda apresentou redução da gordura corporal.
A pesquisa também reforça que a creatina não deve ser encarada como uma solução para melhorar o condicionamento aeróbico. Não foram observadas melhorias significativas na capacidade aeróbica, indicando que os principais efeitos do suplemento estão relacionados à força e à potência muscular.
Produzida naturalmente pelo organismo e encontrada principalmente em carnes e peixes, a creatina participa do fornecimento de energia para as células musculares. No entanto, segundo os pesquisadores, seria necessário consumir uma quantidade muito elevada de alimentos para atingir os 10 gramas utilizados no estudo, tornando a suplementação uma alternativa mais prática.
Outro ponto observado pelos pesquisadores foi a possível contribuição da creatina para preservar a massa muscular durante processos de emagrecimento. A combinação do suplemento com dieta e exercícios apresentou uma redução maior do percentual de gordura do que a adoção apenas de alimentação e atividade física.
O estudo também levantou a possibilidade de benefícios relacionados à memória e às funções cognitivas, especialmente em pessoas mais velhas. No entanto, os próprios pesquisadores e outros especialistas ressaltam que essa área ainda precisa de mais evidências antes que seja possível afirmar que a creatina protege contra problemas de memória ou doenças como a demência.
Apesar dos resultados, a pesquisa não significa que tomar creatina seja suficiente para construir músculos sem esforço. Estudos anteriores chegaram a conclusões diferentes, especialmente entre pessoas mais velhas que não realizavam treinamento físico. Por isso, especialistas recomendam cautela com promessas feitas nas redes sociais de que o suplemento, sozinho, seria capaz de promover grande perda de gordura ou substituir os exercícios.
A principal conclusão até o momento é que a creatina pode oferecer benefícios adicionais, inclusive para pessoas sedentárias, mas seus efeitos tendem a ser mais relevantes quando associados a uma rotina de exercícios e alimentação adequada. O suplemento pode ser um aliado, mas não substitui o treino, uma dieta equilibrada e hábitos saudáveis.




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